Emigração

Remessas dos emigrantes praticamente estagnaram entre 2015 e 2016

Segundo o Relatório da Emigração, lançado esta quinta-feira, entre 2015 e 2016, "o valor das remessas recebidas praticamente estagnou", mas em 2016 foi ligeiramente superior.

PETER KOLLANYI/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O valor das remessas dos emigrantes recebidas em Portugal ficou em cerca de 3,3 mil milhões de euros, sendo que entre 2015 e 2016, o valor das remessas recebidas praticamente estagnou, de acordo com um relatório lançado esta quinta-feira, em Lisboa.

Em 2016, o valor das remessas de emigrantes recebidas em Portugal foi ligeiramente superior a 3,3 mil milhões de euros (3.343.200.000 de euros). Entre 2015 (3.303.650.000) e 2016 o valor das remessas recebidas praticamente estagnou”, refere o Relatório da Emigração, referente ao ano passado, elaborado pelo Observatório da Emigração.

Houve apenas um aumento de 0,8% no valor global das divisas recebidas por Portugal face a 2015, indica o estudo.

De acordo com o relatório, que é publicado anualmente, devido ao crescimento económico em Portugal verificado no mesmo período (2015-2016), “o valor das remessas em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) teve uma ligeira redução, passando de 1,8 para 1,7%”.

Os dois países onde residem mais portugueses, França (1,122.570 mil milhões) e Suíça (697,28 milhões), foram também os países de origem de mais de metade das remessas (54%) recebidas em Portugal em 2016 (34% e 21% respetivamente)”, indicou o documento.

Segundo o relatório, “no entanto, a evolução, entre 2015 e 2016, das remessas com origem nestes dois países teve sinais contrários: enquanto as remessas de França foram as que, em termos absolutos, mais cresceram (8,7%), as da Suíça foram as que tiveram um maior decréscimo (quebra de 18,1%), tanto em termos absolutos como relativos”.

Constata-se uma significativa subida dos valores relativos ao Reino Unido, que sobe 11,8% (248,97 milhões) para o 3.º lugar do ranking, consequência das preferências migratórias dos cidadãos portugueses nos últimos anos.

Há a realçar que 90% do total das remessas procedentes do continente Africano e 95,1% dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) é proveniente de Angola, que ocupa o 6.º lugar dos países emissores de remessas para Portugal (205,9 milhões), longe da 3.ª posição registada em 2014.

De Moçambique, os emigrantes enviaram 6,13 milhões (revelando uma queda, 6,20 milhões) e do Brasil 21,20 milhões, com uma pequena subida (19,95 milhões em 2015).

Após uma queda de 13% em 2015, o volume de remessas originário dos PALOP voltou a conhecer nova diminuição em 2016 (-3,4%) devido à baixa das divisas vindas da generalidade dos países em causa, com destaque para a Guiné-Bissau (2,22 milhões/-15,9%) e São Tomé e Príncipe (490 mil/-14%). O único PALOP a registar uma subida foi Cabo Verde (1,74 milhões/+6,1%).

Também a contribuição de Macau para o cálculo do volume de transferências vindas da China tem vindo a diminuir desde 2013, mesmo se em 2015 se tenha registado uma ligeira subida. Por seu lado, as divisas provenientes do restante território chinês, que demonstravam uma tendência positiva desde 2011, desceram 87% em 2016 (0,05 milhões de euros).

Face ao total, 91,9% das remessas têm origem em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), 62,5% na União Europeia e 6,5% nos PALOP.

Entre os países desenvolvidos com mais remessas recebidas, de acordo com o documento, em 2016 Portugal continuava a ser aquele em que era maior o peso das remessas recebidas em percentagem do PIB.

No lançamento do Relatório da Emigração, em Lisboa, estiveram presentes o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, e outras autoridades.

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