Acuña chegou ao Sporting durante o estágio dos leões no estrangeiro como a segunda contratação mais cara de sempre do clube e não demorou a adaptar-se, assumindo rapidamente lugar nas opções iniciais de Jorge Jesus. Marcou, fez assistências e funcionou sempre como um jogador de equilíbrios, aquele típico ala que o técnico gosta, capaz de jogar por dentro ou compensar as subidas do lateral. Para isso contribuiu a empatia com Coentrão, com a curiosidade de haver um registo muito melhor em termos defensivos com ambos em campo.

Por defeito, e assim as condições físicas permitam, esta é a ala esquerda do Sporting. A mesma que esteve em destaque aos 58′ no Restelo, pela negativa: no seguimento de um ataque do Belenenses onde houve uma clara descoordenação entre ambos sobre quem ficava com o homem da bola, Coentrão e Acuña pegaram-se e foi William Carvalho a separar os dois jogadores leoninos num momento com os ânimos mais quentes. Aos 72′, Coentrão, por precaução, deu o lugar a Bruno César e saiu diretamente para os balneários; aos 74′, Acuña, de pé direito, arrancou uma bomba que desviou ainda num defesa dos visitados e inaugurou o marcador. No final, com um autogolo de Coates pelo meio (76′), foi esse remate que decidiu a passagem à Final Four da Taça da Liga.

Mais de duas décadas depois, o Sporting vira a época desportiva sem uma única derrota em termos nacionais e, sete anos depois, volta a dobrar o ano civil ainda na Taça de Portugal, na Taça da Liga e nas provas europeias. Apesar de não ter sido propriamente um jogo fácil, os leões passaram com o mínimo necessário no Restelo. E partem para o dérbi na Luz motivados com a atual campanha. Com Coentrão e Acuña? Logo se verá…

Ficha de jogo

Mostrar Esconder

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Belenenses-Sporting, 1-1

3.ª jornada do grupo B da Taça da Liga

Estádio do Restelo, em Lisboa

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

Belenenses: Filipe Mendes; Pereirinha, Gonçalo Silva, Nuno Tomás, Florent; Yebda, André Sousa; Diogo Viana (Tiago Caeiro, 71′), Benny (Filipe Chaby, 58′), Fredy (Roni, 79′) e Maurides

Suplentes não utilizados: Ricardo Fernandes, Persson, Miguel Rosa e Cleiton

Treinador: Domingos Paciência

Sporting: Rui Patrício; Piccini, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão (Bruno César, 72′); William Carvalho, Battaglia; Podence (Gelson Martins, 57′), Bruno Fernandes (Bryan Ruíz, 90+2′), Acuña e Bas Dost

Suplentes não utilizados: Salin, André Pinto, João Palhinha e Doumbia

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Acuña (74′) e Coates (76′, p.b.)

Ação disciplinar: cartão amarelo a André Sousa (73′) e Roni (90′)

Jorge Jesus não facilitou na equipa inicial apresentada no Restelo, deixando apenas no banco Gelson Martins em relação aos habituais titulares e porque treinou condicionado grande parte da semana (entrou Battaglia, subiu no terreno Bruno Fernandes, passou Podence para a direita explorando sempre que possível o jogo interior), mas não foi por isso que o Sporting apresentou o rendimento habitual nos primeiros 45 minutos. Longe disso.

Com um bloco médio/baixo sem posse, foi o Belenenses que começou a destacar-se (sem qualquer oportunidade de perigo, sublinhe-se) pela facilidade com que conseguia meter bola entre linhas já no último terço (Benny, uma das boas surpresas do conjunto de Domingos Paciência esta temporada, era o maior agitador nessa fase prematura do encontro). No entanto, o primeiro remate acabou por pertencer a Acuña, a surgir em terrenos interiores para arriscar a meia distância de fora da área que Filipe Mendes desviou bem para canto (13′).

Os visitados tinham duas grandes virtudes: por um lado, a forma como conseguiam condicionar as fases de construção dos leões, nomeadamente William Carvalho (à frente dos centrais) e Bruno Fernandes (nas zonas entre linhas nas costas de Dost); por outro, a boa fluência do jogo exterior, sobretudo pela ala direita made in Academia com Bruno Pereirinha e Diogo Viana. A isso acresciam dois pecados dos leões: a falta de intensidade de alguns jogadores que permitia ao adversário ganhar grande parte das segundas bolas e a forma como deixavam partir o jogo e eram apanhados em situações de igualdade numérica em transições defensivas.

Fredy, aos 34′, fez o único remate dos azuis do Restelo na primeira parte (de ressaca, ao lado e sem perigo), ao passo que o Sporting ameaçou a baliza do Belenenses por três ocasiões de fora da área (Battaglia, aos 32′, e Acuña, aos 39′ e aos 45′). Pouco, pouquinho, numa primeira parte onde não se viu quase nada de futebol e não foi pelo nevoeiro que caiu de forma rápida nesta zona da cidade de Lisboa e chegou a parecer ameaçar a visibilidade mínima.

O segundo tempo começou praticamente com uma perdida escandalosa que viria a marcar o resto do encontro: cruzamento da direita de Fredy para Maurides que, isolado e em posição frontal na área, encostou por cima (49′). Era o aviso mais sério ao Sporting, que tinha a passagem às meias-finais presa apenas por um golo de vantagem. E foi o toque que acordou ambos os conjuntos para 45 minutos mais movimentados e interessantes.

Battaglia, com um remate à entrada da área que acabou por sair fácil para Filipe Mendes; Mathieu, num livre direto a rasar o poste; e Bruno Fernandes, numa transição rápida que terminou com um tiro desviado num defesa dos azuis, iam apostando na meia distância. E seria mesmo dessa forma que os leões chegariam ao golo inaugural: Acuña voltou a fazer a variação para o centro, arriscou de pé direito e colocou a bola na gaveta (74′).

O Sporting estava em vantagem e tinha tudo para gerir o encontro de outra forma, mas apenas 86 segundos depois o jogo encontrava-se empatado: Coates calculou mal um corte num cruzamento que seria facilmente controlado por Rui Patrício e acabou por fazer autogolo, o segundo na época depois do Barcelona (76′).

Sem necessidade e por clara culpa própria, os leões ainda tiveram de sofrer um pouco mas conseguiram aguentar a igualdade, suficiente para assegurar a passagem à Final Four. E se Jesus queria lutar por todas as finais, está mais perto de alcançar a primeira numa temporada onde o conjunto verde e branco ainda não perdeu nas provas nacionais, algo que tinha sido conseguido pela última vez por Carlos Queiroz na década de 90.