O PSI20 fechou 2017 com uma valorização de 15%, acima dos principais índices europeus, num ano em que a Mota-Engil se destacou, os CTT foram a ação mais penalizada e o BCP se tornou a cotada com mais peso.

Para os analistas contactados pela Lusa, a valorização acumulada pelo PSI20 este ano, que significa uma inversão de tendência depois da queda de 11% em 2016, acompanha a evolução da economia, a melhoria dos custos de financiamento do Estado e do ‘rating’ da República, que tem grande impacto no mercado acionista.

Já quanto a cotadas, o destaque do ano é a construtora Mota-Engil, que subiu 127% em termos acumulados, fechando nos 3,67 euros.

O gestor da corretora XTB Nuno Mello considerou, em declarações à Lusa, que esta valorização resulta de a empresa ter apresentado este ano “melhores resultados do que os analistas estavam à espera” e tem a ver também com o facto de os novos contratos assinados para obras em vários países criarem boas perspetivas para a empresa.

Já João Lampreia, do Banco Big, recordou que este título esteve “deprimido” nos últimos anos, pelo que tem havido alguma reversão da tendência negativa com a melhoria dos resultados da empresa, que capta a atenção dos investidores.

Em sentido contrário, os CTT — Correios de Portugal foram a empresa que mais caiu este ano, com uma desvalorização superior a 45%, para 3,51 euros.

Segundo João Lampreia, a empresa privatizada em 2014 tem sido penalizada pelos investidores devido à redução “das margens na atividade ‘core’ — correio tradicional e logística/embalagens” e por os resultados do banco CTT estarem a falhar face aos “objetivos definidos pela administração”.

Nuno Mello referiu ainda que o facto de a empresa ter cortado nos dividendos também penalizou o título.

Os CTT, que tiveram lucros de 19,5 milhões de euros até setembro deste ano, menos 57,6% do que no mesmo período de 2016, anunciaram um plano de reestruturação da sua atividade, que passa pela saída de mais 800 trabalhadores nos próximos três anos.

Os analistas destacam ainda a evolução este ano da cotada BCP, que subiu mais de 40%, fechando o ano nos 0,27 euros.

A suportar o título em 2017 esteve o significativo aumento de capital feito pelo banco no início do ano e a reestruturação que tem levado a cabo, com redução das imparidades.

Ainda este ano, o BCP voltou a tornar-se a cotada com maior peso no PSI20 (cerca de 16%), destronando as energéticas Galp e EDP.

Com bons desempenhos este ano fecharam ainda as empresas ligadas à indústria de papel Altri (34%), Semapa (33%) e Navigator (30%), beneficiando do crescimento das receitas e da margem, com impacto nos resultados.

Uma subida menos expressiva teve a Galp, com 8% no acumulado do ano, facto que está relacionado com a queda do preço do petróleo, enquanto a EDP cedeu mesmo 0,31%. Já a retalhista Jerónimo Martins valorizou 9,87%.

O ano do PSI20 ficou ainda marcado pela saída das cotadas BPI, após o controlo do banco pelo espanhol Caixabank, no âmbito da Oferta Pública de Aquisição (OPA), estando agora no índice geral, e pela saída de bolsa da Caixa Económica Montepio Geral, com a tomada de controlo de todos os títulos pela Associação Mutualista Montepio.

Face às praças europeias, o PSI20 foi dos que mais cresceu este ano, ao acumular ganhos de 15,15%. Contudo, é importante notar que vinha de uma situação mais negativa.

Paris acumulou este ano uma valorização de 9,26%, Londres de 7,63%, Frankfurt de cerca de 12% e Milão de 13,7%. Já o índice europeu Eurostoxx subiu cerca de 7%.

Para o próximo ano, os analistas esperam que o PSI20 continue a subir mas menos do que este ano.

“Espero que tenhamos um início de ano bom, mas a evolução depende muito da valorização dos índices americanos, que estão em máximos históricos. E depende de como Trump [o presidente dos EUA] irá aplicar a reforma fiscal e do comportamento do dólar dos mercados”, disse Nuno Mello, considerando que se houver uma “fraqueza” dos mercados americanos o PSI20 será dos primeiros índices a ceder.

João Queiroz, do Carregosa, também espera que o índice português valorize em 2018, mas admite que “pode não ser com um ritmo tão pujante” como este ano, e recorda que o ano novo está cheio de incertezas, desde logo devido a eleições em vários países (Itália, Brasil) ou à mudança de presidente da Reserva Federal norte-americana.

Ainda assim, disse, que algum choque negativo poderá ser suportado “pela rede” que ainda constitui o programa de estímulos do Banco Central Europeu, ainda que se vá reduzir a sua ação.