Na passagem de ano, o fotógrafo Lucas Landau estava na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, a tirar fotografias aos milhares de pessoas que ali se juntaram para festejar a chegada de 2018. Decidiu entrar dentro de água. E foi ali que tirou a fotografia que está a causar reboliço nas redes sociais. Uma criança, negra, olhava maravilhada para o céu, enquanto o fogo de artifício coloria a paisagem brasileira. Atrás, os adultos preferiam tirar selfies. A foto, partilhada a preto e branco, impressiona quanto ao contraste de cores e à reação das pessoas.

Mas a imagem está a fazer mais do que isso. O El País conta que a fotografia já foi partilhada milhões de vezes no Twitter e abriu a discussão sobre as questões raciais no Brasil. Muitos utilizadores – na sua maioria brasileiros – viram ali “a invisibilidade do nosso dia-a-dia”, “a imagem da exclusão social brasileira” ou até “as consequências de um golpe”, numa alusão ao impeachement da ex-presidente Dilma Roussef.

Ainda assim, aqueles que estão a levantar a discussão sobre questões raciais estão também, eles próprios, a ser acusados de racismo. O escritor Anderson França lembra que “o problema não é a foto, mas sim a sua interpretação e o seu contexto”.

As pessoas que olham para a foto estão condicionadas a entender que a imagem de uma pessoa negra está associada à pobreza e ao abandono, quando a realidade não é mais nada do que uma criança na praia. Este preconceito é racismo estrutural que resulta da má educação do povo brasileiro”, defender o escritor.

A verdade é que a fotografia já está a ser utilizada, até, para propaganda de páginas associadas à esquerda brasileira.

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Posted by Jovens de Esquerda on Monday, January 1, 2018

O autor da imagem de toda a polémica recusou entrevistas e limitou-se a reagir no Facebook. Na rede social, Lucas Landau explicou que não vai comentar todo o debate até encontrar a família da criança. “Eu estava a trabalhar, a fazer fotografias das pessoas a ver o fogo de artifício e ele estava ali, como os outros, deslumbrado. Como entrou dentro de água, distanciou-se das pessoas. Não sei se estava sozinho ou com a família. Todas as interpretações são legítimas. Existe uma verdade mas nem sei qual é”, esclareceu o fotógrafo.