O Governo francês indicou esta quinta-feira que prefere que as jihadistas franceses capturadas na Síria por forças curdas, várias das quais reclamam o repatriamento para França, sejam julgadas pela justiça síria se se garantir o direito à defesa.

Numa entrevista à cadeia de rádio e de televisão BFMTV e RMC, o porta-voz do Governo francês, Benjamin Griveaux, realçou que, de acordo com as informações de que dispõe, as mulheres em causa não se renderam aos curdos, mas foram feitas prisioneiras em combate. Pelo menos duas jihadistas francesas, entre as quais Emilie König, propagandista e recrutadora para o grupo extremista Estado Islâmico, detidas pelas forças curdas na Síria pediram recentemente para serem transferidas e julgadas em França.

Emilie Konig é considerada uma das jihadistas francesas mais procuradas e conhecida em particular pela sua atividade propagandística nas redes sociais, a partir de onde incitava a ações violentas em território gaulês.

“Se se garantir o direito à defesa num processo justo, as jihadistas francesas devem ser julgadas na Síria”, afirmou o porta-voz do executivo francês.

Por seu lado, Bruno Vinay, advogado de defesa de Emilie Konig, num comunicado, fez notar que a sua cliente é mãe de três filhos e que há que fazer “todos os possíveis” para facilitar o repatriamento, “em conformidade com os compromissos internacionais assumidos pela França”. A mãe de Emilie Konig, em declarações transmitidas pelo canal de televisão France 2, contou ter falado com a filha depois de ter sido capturada e que lhe tinha transmitido a mensagem de que pedia “perdão a todo o mundo”.

Sobre esta questão, o ministro do Interior francês, Gérard Collomb, indicou na terça-feira que o Governo terá de tomar “uma série de decisões sobre os jihadistas franceses, em particular crianças, tendo em conta os que estão em poder das forças curdas desde que o grupo Estado Islâmico “perdeu a guerra” na região. Em qualquer dos casos, Collomb sublinhou que os que voltarem a França terão de comparecer ante a justiça e serão condenados.

Em novembro de 2017, o Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a análise da situação das francesas envolvidas em grupos jihadistas capturadas na Síria e acompanhadas pelos filhos seria feita “caso a caso”. Na altura, porém, advertiu que os adultos que regressem a França serão detidos e julgados “para garantir a justa proteção, na justiça, de cidadãos franceses”.