Meltdown e Spectre são os nomes dados aos novos bichos-papões do mundo informático em que nem a Apple ficou de parte. Os dois afetam os processadores, um dos principais componentes de todos os equipamentos eletrónicos, e permitem a hackers acederem a toda informação armazenada num computador. Isto significa palavras-passe e ficheiros confidenciais em risco. O Meltdown, que afeta só dispositivos com equipamentos da Intel, tem já “cura”, mas pode deixar os computadores bem mais lentos. O Spectre, é um erro na forma como os processadores estão construídos. É mais difícil alguém aproveitar-se desta falha, mas também a torna mais complicada de resolver.

Mas como se deve proteger destas falhas? Primeiro e acima de tudo, o principal conselho que está a ser divulgado por especialistas e pelos autores do estudo é: atualizar o sistema que está a utilizar. Isto significa ter atenção àquela atualização que anda a adiar e fazê-la (do Windows, do iOS, e até do smartphone que utiliza). Pode tornar o equipamento mais lento? Sim, pode, como a Apple recentemente ensinou. No entanto, entre uma app demorar um pouco mais a abrir ou ficar com a palavra-passe do email comprometida, a escolha parece óbvia (é a segunda, mesmo que tenha respondido “não tenho nada a esconder”, até informação da conta bancária pode ficar comprometida desta forma).

Outra das soluções passa por ter atenção, redobrada, aos downloads feitos de programas. Como a vulnerabilidade dos processadores precisa que um hacker entre no sistema para se aproveitar das falhas, é necessário instalar-se um programa para esse efeito. Tenha especial atenção a downloads de sites suspeitos e não se esqueça: carregar “aceito” em tudo o que aparece no ecrã “para despachar” não é um bom costume.

Os investigadores que descobriram as falhas, antes de a divulgarem ao público, colaboraram com empresas como Microsoft, Amazon, ARM e Intel, para que, ao serem conhecidos os erros, já existissem precauções preparadas para os utilizadores. Se o programa para navegar na Internet ou sistema operativo que utiliza fez recentemente uma atualização, o mais provável é já estar protegido. No entanto, convém sempre — nas definições (por norma é em “atualizações”) — garantir que está precavido.

No site oficial para comunicar as falhas, no final, está uma lista que direciona para hiperligações de comunicados das principais empresas informáticas sobre esta falha, caso queira saber mais pormenores técnicos ou como cada empresa está a lidar com a situação. O uniforme nos comunicados é: “estamos a preparar atualizações” e “atenção à fonte dos downloads“.

Ainda não são conhecidos nenhuns casos de utilizadores (ou empresas) que tenham sido afetados por estas falhas. Apesar de o Meltdown ter uma solução mais fácil e parecer estar restrito a processadores da Intel (que são os mais utilizados), o Spectre, que deixou ameaçadas todas as empresas, “vai viver connosco durante décadas”, afirmou Paul Kocher, um dos investigadores que descobriu o erro, ao New York Times. Apesar de as empresas já terem soluções temporárias disponíveis para o Spectre, aqui a solução passa, também, por esperar por mais desenvolvimentos.

As consequências destas falhas, além de a Intel já estar envolta em polémica por o seu presidente executivo, Brian Krzanich — sabendo previamente do erro que afeta os processadores da Intel — ter vendido cerca de 11 milhões de euros em ações da empresa, não se sabem ainda.