O PS questionou esta sexta-feira o Governo sobre se conhece os critérios para o encerramento de lojas dos CTT em Abrantes e Alpiarça, no distrito de Santarém, fecho que também já mereceu o protesto do PCP e BE.

Na pergunta do PS dirigida esta sexta-feira ao ministro do Planeamento e Infraestruturas e assinada pelos três deputados eleitos por Santarém, Hugo Costa, António Gameiro e Idália Serrão, estes afirmam estar “preocupados com a qualidade do serviço púbico postal” e questionam a tutela sobre se “conhece o que esteve na base desta decisão”.

Os CTT confirmaram a 2 de janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, entre elas as de Alferrarede (Abrantes) e Alpiarça, medida que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar um total de 53 postos de trabalho.

Na questão que o PS enviou esta sexta-feira ao Governo, a que a Lusa teve acesso, os deputados eleitos por Santarém lembram que o serviço postal universal é “crucial para a coesão territorial, soberania e integração”, tendo feito notar que “os CTT em Portugal sempre foram uma referência e enquanto a sua gestão foi pública os resultados apresentados positivos”.

O PS, que lembra que “foi o Governo anterior que decidiu privatizar uma empresa rentável e que prestava um serviço essencial aos cidadãos”, manifesta a sua “divergência” relativamente ao fecho destas lojas e pergunta ainda “que medidas foram ou vão ser tomadas para garantir a qualidade e universalidade do serviço público”.

Também a distrital de Santarém do BE criticou, em comunicado, o fecho de balcões dos correios em Alferrarede e Alpiarça, defendendo a nacionalização dos CTT.

O BE lembra que “desde a privatização dos CTT que o serviço postal se tem degradado acentuadamente, com a empresa focada no lucro e na distribuição de dividendos à custa do despedimento de trabalhadores, aumento dos ritmos de trabalho, tempos de espera inaceitáveis, resultado de contínua diminuição do número de trabalhadores afetos ao atendimento ao público, do encerramento de balcões e de precariedade global em toda a linha de serviços prestados”.

Nesse sentido, o Bloco de Esquerda lembra ter apresentado há menos de um mês, no parlamento, um projeto de lei para a nacionalização dos CTT.

“O serviço universal de correio, com a consequente proximidade às populações o qual, está posto em causa neste momento, tem de ser um serviço público, de qualidade e de pertença de todos”, pode ler-se.

Na mesma nota, o BE sublinha que “continuará a lutar pelo serviço de qualidade dos CTT e pela sua reintegração na esfera pública”, assumindo o “compromisso” de, através do deputado eleito pelo distrito de Santarém, Carlos Matias, “fazer todas as diligências contra a pertença do encerramento dos balcões de Alpiarça e Alferrarede”.

A Direção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP, por sua vez, afirmou “repudiar” o anunciado encerramento dos postos dos CTT em Alpiarça e Alferrarede (Abrantes), ambos no distrito de Santarém, tendo afirmado que esta possibilidade “significaria um salto qualitativo na degradação das condições de vida daquelas populações e dos seus trabalhadores”.

Na mesma nota, o PCP afirma que “é possível e necessário inverter esta situação”, e “apela à união e luta de todos (trabalhadores dos Correios, utentes e população em geral) para impedir o encerramento destes postos”, tendo defendido ser “urgente libertar os CTT da gestão privada e retomar o serviço postal público, universal e de qualidade!”.

Os CTT confirmaram a 2 de janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar 53 postos de trabalho.

A empresa referiu que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas “não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respetivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente”.

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Gondomar), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).

A decisão de encerramento tem motivado críticas de partidos, autarquias e utentes.