IURD

Justiça sabia das adoções ilegais no lar da IURD desde 2003. PGR vai investigar “responsabilidades dos magistrados”

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A carta que revela todo o esquema de adoções ilegais da IURD foi enviada ao Tribunal de Menores em 2003. PGR vai investigar "eventuais responsabilidades dos magistrados".

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

O Tribunal de Menores de Lisboa teve conhecimento dos esquemas de adoção ilegal no lar da IURD em 2003. A carta de 11 páginas escrita por Márcia Panceiro – mulher do bispo Romualdo, líder máximo da Igreja Universal do Reino de Deus em Portugal – enviada à TVI, chegou à Justiça portuguesa em dezembro daquele ano.

“Fábio Miguel Tavares foi-me entregue no dia 8 de abril de 1997 para ser meu filho”, escreve Márcia Panceiro. Fábio, o mais novo de três, viveu até aos cinco anos longe dos irmãos.

Edir Macedo pediu à secretária pessoal, a portuguesa Alice Andrade, que se inscrevesse com um pedido de guarda para retirar as crianças do Lar da IURD. De acordo com as jornalistas, Vera, Luís e Fábio foram levados por Alice para os Estados Unidos e entregues em casa de Viviane. A filha do líder da IURD e o marido, o bispo Júlio Freitas, rejeitam Fábio e decidem ficar apenas com Vera e Luís. Ilegalmente, “enviam” Fábio para o Brasil, para que seja adotado por outro bispo — Romualdo.

PGR vai investigar “eventuais responsabilidades dos magistrados”

A Procuradoria-Geral da República enviou esta sexta-feira um comunicado às redações onde aborda o tema das alegadas adoções ilegais no lar da IURD – para além do envolvimento da atual Procuradora, Joana Marques Vidal, com a denúncia de Márcia Panceiro. No comunicado, a PGR refere que “como consta do currículo que se encontra divulgado no Portal do Ministério Público, a Procuradora-Geral da República exerceu funções no Tribunal de Família e de Menores de Lisboa entre 1994 e 2002”, acrescentando que o caso das adoções “deu origem a um inquérito-crime”.

A nota adianta ainda que “nada deixará de ser investigado, o que permitirá apurar todos os factos e eventuais responsabilidades dos magistrados” e apela a quem tenha “conhecimento de factos relacionados com as alegadas adoções ilegais” que os envie para o email da Procuradoria ou para a morada da PGR.

Na sequência das informações que vieram a público, o Ministério Público abriu um inquérito sobre a alegada rede de adoções ilegais de crianças portuguesas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Já a IURD emitiu um comunicado onde afirma estar a ser vítima de uma “campanha difamatória, falsa”.

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