Lionel Messi está satisfeito no Barcelona. Não fosse esse o caso não teria assinado um verdadeiro ‘supercontrato’ de renovação em novembro, que determinou que o argentino vai receber 35 milhões de euros por temporada, mais 14 milhões do que Cristiano Ronaldo, durante quatro épocas. Todos os contratos têm asteriscos, contudo. E o de Messi tem um bem grande. Sim, o jogador quer ficar no clube, mas só se uma Catalunha independente não interferir com as suas ambições desportivas, escreve o El Mundo.

Por outras palavras, se a Catalunha se tornar independente Messi quer garantias de que vai continuar a jogar ao mais alto nível do futebol europeu, que para o jogador se encontra nas ligas espanhola, inglesa, alemã e francesa. Se o Barcelona acabar a jogar numa liga catalã, e não em nenhuma das referidas por culpa da independência da Catalunha, Lionel Messi vai dizer ‘adiós’ aos blaugrana e jogar para outro clube, que nem vai precisar de pagar a cláusula de rescisão de 700 milhões de euros — Messi, neste caso, será um jogador livre.

A opção de jogar na liga espanhola em caso de independência catalã é impossível de acordo com a atual legislação espanhola. A Lei do Desporto determina que as federações desportivas autónomas devem estar integradas dentro das federações desportivas espanholas correspondentes. Ora, em caso de independência, a Catalunha deixaria obviamente de ser uma região autónoma, pelo que não poderia ser integrada na RFEF (Real Federación Española de Fútbol).

De momento, a lei apenas permite que um estado não espanhol jogue nas competições oficiais nacionais: Andorra. Uma alteração à legislação tem de ser discutida e aprovada em Parlamento. Para Messi restam, por isso, a Premier League, a Bundesliga e a Ligue 1.

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Apesar do que possa parecer, esta cláusula é uma mostra de que Messi quer mesmo continuar no Barcelona. Segundo o El Mundo, o ‘Barça’ entende que a independência catalã iria constituir uma alteração substancial do contrato, o que significaria que nenhum jogador do plantel tem obrigação de permanecer no clube, pelo que estaria automaticamente livre. Este mais recente contrato de Messi perderia por isso mesmo a validade e teria de ser revisto, pelo que a cláusula imposta pelo jogador acaba por ser simbólica.

Graças ao mais recente contrato, Messi vai receber 100 milhões de euros brutos distribuídos pelas quatro temporadas, tendo o Barcelona a opção de prolongar o mesmo contrato por mais um ano. O valor astronómico não inclui nem bónus nem direitos de imagem, existindo apenas um contrato que se aproxima do de Messi: o de Neymar, ex-colega do argentino que se mudou esta época para o Paris Saint Germain.