Zsuzsanna Jakab, diretora regional europeia da Organização Mundial de Saúde (OMS), enviou uma carta ao secretário de Estado da Saúde onde o congratulou “calorosamente” pela “recente adoção da Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável, publicada a 29 de dezembro de 2017” em Diário da República, considerando que Portugal está na linha da frente no que diz respeito à implementação de medidas que promovem um modo de vida mais saudável.

“As dietas pouco saudáveis são responsáveis por uma percentagem significativa de mortes, de doenças cardiovasculares, diabetes e cancro. Têm também um efeito negativo na qualidade de vida nos últimos dez anos”, afirmou Zsuzsanna Jakab, frisando que está provado que os “ambientes onde aprendemos, trabalhamos e brincamos têm um impacto significativo nas escolhas alimentares e na qualidade nutricional das dietas”. E que os alimentos disponíveis em locais como creches, escolas, hospitais e instituições públicas afetam fortemente os padrões de consumo.

A Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável, elaborada com o contributo de vários ministérios, tem por objetivo reduzir os níveis de açúcar, sal e ácidos trans nos alimentos consumidos pelos portugueses até 2020. A ideia é atender às recomendações da própria OMS e, na linha do que já se está a fazer com o pão, reduzir o consumo de sal para cinco gramas por dia, o de açúcar para as 50 gramas por dia e fazer com que o consumo de gorduras trans se aproxime do zero em 2020.

De acordo com a diretora regional europeia da OMS, “a implementação de medidas-chave nos países europeus tem melhorado significativamente nos últimos anos”. “Houve um progresso substancial em áreas como a alimentação escolar, na reformulação da produção alimentar, nas abordagens fiscais e na vigilância da obesidade infantil. Portugal é um líder em algumas destas áreas”, afirmou Zsuzsanna Jakab, na carta dirigida a Fernando Araújo.

Considerando que Portugal tem adotado medidas “notáveis” e “corajosas”, a responsável conclui que o país está “bem posicionado” para desempenhar um papel de “liderança” na adoção de medidas que promovem um estilo de vida mais saudável e que estão “alinhadas com as recomendações da OMS, que incluem a nova iniciativa de restringir a comida pouco saudável nas instituições que pertencem ao Ministério da Saúde”, Zsuzsanna Jakab alertou, porém, para a necessidade de as políticas terem de ser “abrangentes” e seguirem “critérios rigorosos de saúde pública” para que tenham efeito.

“Por essa razão, encorajamo-vos a continuar o bom trabalho e a permanecerem disponíveis para apoiar quaisquer discussões futuras relacionadas com a implementação de propostas”, disse ainda a diretora da OMS, parabenizando o Ministério da Saúde português pelas iniciativas e garantias de que o “compromisso com a prevenção e controlo da obesidade e de doenças relacionadas com a dieta alimentar, como o cancro, diabetes e as doenças cardiovasculares” é para continuar.

A responsável da OMS aplaude assim o recente despacho, assinado pelo secretário de Estado adjunto da Saúde, que vem proibir, a partir de julho, uma série de alimentos nefastos à saúde (salgados e bolos, entre outros) nos bares e bufetes dos hospitais. E que tem gerado muita discussão.

À semelhança de Portugal, também em Inglaterra, esta semana, o serviço nacional de saúde britânico England lançou um contrato para hospitais, que, pela primeira vez, incluiu uma cláusula que proíbe a venda de bebidas açucaradas.