O ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, confia num novo acordo entre os trabalhadores e a administração da Autoeuropa, fábrica do grupo Volkswagen, com base nos dados que tem e na “experiência do passado”.

“Com os dados que tenho e com a experiência do passado acho que vai acabar por acontecer um novo acordo entre os trabalhadores e a administração” da fábrica localizada em Palmela, referiu o governante, em entrevista à Antena 1, que será transmitida a partir das 12:00 deste sábado.

Vieira da Silva afirmou perceber as razões de ambos, comentando que um aumento na produção de “800 carros num dia é uma mudança de escala com impacto não apenas na Autoeuropa, mas também no ecossistema” em redor da fábrica.

Com o aumento de escala, devido à produção do modelo da Volkswagen T-Roc, a fábrica já contratou mais dois mil trabalhadores e “há mais umas centenas previstos para a escala de produção”, disse.

“Ora, se se tornar impossível responder a esta escala, a empresa continuará a ser muito importante, mas não se posicionará para o futuro com a mesma robustez que poderia fazer”, acrescentou Vieira da Silva.

Depois da rejeição de dois pré-acordos sobre os novos horários negociados previamente com os representantes dos trabalhadores, a administração da Autoeuropa anunciou a imposição de um novo horário transitório, para vigorar no primeiro semestre de 2018, e a intenção de dialogar com a Comissão de Trabalhadores (CT) no que respeita ao horário de laboração contínua, que deverá ser implementado em agosto, depois do período de férias.

O novo horário transitório, que entra em vigor nos últimos dias deste mês, com 17 turnos semanais, prevê o pagamento dos sábados a 100%, equivalente ao pagamento como trabalho extraordinário, acrescidos de mais 25%, caso sejam cumpridos os objetivos de produção trimestrais.

Os trabalhadores da Autoeuropa aprovaram em dezembro uma proposta para uma greve de dois dias, em 02 e 03 fevereiro.

A CT e a administração têm uma reunião sobre os novos horários marcada para terça-feira.