Pedro Santana Lopes respondeu ao repto do adversário Rui Rio para que explicasse “tintim por tintim” o que aconteceu relativamente à possível entrada da Santa Casa da Misericórdia no sector financeiro. “Inventem os assuntos que quiserem agora”, disse o candidato à liderança do PSD, que sublinhou ter esclarecido o assunto na altura. “Trabalhem, apresentem ideias e propostas”, sugeriu antes ao adversário.

“A Santa Casa não tomou decisão nenhuma, estava à espera de resultados de auditorias. Várias hipóteses foram colocadas em cima da mesa, a decisão foi ‘não'”, disse Santana aos jornalistas este domingo, explicando que não houve “participações estratégias”, mas que foram estudadas. “Foram ponderadas com todos os poderes do Estado — não falo só do Governo — aos mais variados níveis”, declarou, dando a entender que a presidência da República também poderá ter discutido o tema.

O ministro do Trabalho e da Segurança Social, Vieira da Silva, tinha dito em entrevista à Antena 1 que a “ideia de que a Santa Casa podia ter um papel” no setor financeiro tinha sido “avançada pelo dr. Santana Lopes”, embora admitindo que a sugestão concreta do Montepio foi avançada pelo Governo.

“Peço explicações tintim por tintim”, exige Rio

Este sábado, Rui Rio aproveitou o momento para exigir uma clarificação sobre o tema a Santana. “Não faço ataques pessoais, mas peço explicações ‘tintim por tintim’ daquilo que aconteceu”, afirmou, ao discursar em Viseu, numa sessão com militantes.

Rui Rio lamentou ter-se sabido nesse dia que, “em plena crise bancária, o então provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (Santana Lopes) escreveu ao Governo disponibilizando-se para pôr dinheiro da Santa Casa da Misericórdia nos bancos para ajudar a limpar as imparidades”. “É algo que vos digo com sinceridade que não posso concordar”, frisou.

Rui Rio disse ser “muito crítico da forma como a banca foi gerida em Portugal durante anos e anos, com erros graves, os maiores dos quais no grupo Espírito Santo”.

“E se eu sou crítico à forma como tivemos de usar dinheiro público dos nossos impostos para tapar erros cometidos na banca, menos posso aceitar que aquela parte do dinheiro público que é destinada ao combate à pobreza, a fazer misericórdia, esteja disponível para ir meter no sistema bancário”, acrescentou.

Na sua opinião, “no sistema bancário, a diferença entre dizer que se quer meter no Novo Banco ou que se quer meter no Montepio” não é muita. “O problema do Montepio, as imparidades do Montepio, não decorrem de qualquer ação social, decorrem na mesma de crédito concedido a quem não se deveria ter concedido crédito, a começar pelo próprio grupo Espírito Santo”, afirmou.

Em declarações aos jornalistas, Rui Rio disse que Santana Lopes, “em vez de procurar denegrir o adversário” e até o próprio cargo a que se está a candidatar, deve é dar explicações sobre este assunto.