Em novembro passado, Hillary Clinton era um dos nomes mais mencionados por cerca de 600 contas no Twitter ligadas ao Kremlin, monitorizadas pelo grupo Alliance for Securing Democracy. Em dezembro, o mesmo volume de tráfego foi dedicado a outro nome: Robert Mueller, o procurador-geral especial nomeado para conduzir a investigação às possíveis ligações à Rússia por parte da campanha do Presidente Donald Trump.

Os números foram revelados pelo grupo à revista Wired e dão conta de que 16% dos artigos partilhados por essas contas em dezembro tentavam descredibilizar Mueller e a sua investigação. “Nunca tínhamos visto tanta atividade concentrada nesse assunto”, disse à revista Bret Schafer, analista do grupo, que monitoriza cerca de 20 mil tweets por dia e publica os seus resultados no site Hamilton68. “Tem estado continuamente a subir desde que começámos isto.”

Schafer explica que o conteúdo dos tweets não são geralmente “fake news” óbvias, mas sim artigos de “sites super, super partidários da alt-right“, com títulos como: “De um ponto de vista legal, a investigação de Mueller está morta. Saiba porquê”.

O aumento de atividade sobre Mueller no universo pró-Kremlin no Twitter coincidiu com um aumento de tweets do Presidente norte-americano sobre a investigação — em dezembro, Donald Trump fez 17 publicações na rede social sobre esse tema, um aumento face aos três tweets de novembro. “Ocasionalmente, há uma correlação” entre os tweets de Trump e estas contas, explica Schafer, esclarecendo, no entanto, que é difícil perceber quem alimenta o quê.

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O Hamilton68 foi criado em agosto de 2017 por um ex-agente do FBI, Clint Watts, e pelo investigador de propaganda J.M. Berger. O grupo não divulga quais as contas que segue, mas a Wired explica que consistem numa mistura entre “contas abertamente pró-russas como as da Sputnik e da RT, bem como contas geridas por fábricas de trolls“.

A investigação liderada por Mueller já acusou vários membros da campanha de Trump como o consultor político Paul Manafort. A 1 de dezembro, o antigo conselheiro na Casa Branca Michael Flynn declarou-se culpado de ter prestado “declarações falsas, fictícias e fraudulentas ao FBI” e anunciou que está a colaborar com a investigação.