A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu no domingo aquele que acreditam ser o responsável pelos motins no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, em Goiás, que começaram no primeiro dia de 2018. Stephan de Souza Vieira, mais conhecido como BH, era o chefe em Goiás de uma das maiores fações criminosas do Brasil, o Comando Vermelho.

BH tinha fugido da prisão de Aparecida de Goiânia em novembro de 2017, onde se encontrava preso desde 2014 e cumpria uma pena de 26 anos por crimes como homicídio e tráfico de droga.

A polícia encontrou o suspeito de ter organizado os motins num apartamento de luxo em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, escreve o G1. No local encontraram também vários telemóveis, dinheiro, joias e cadernos em que Stephan de Souza Vieira tinha anotado movimentações do tráfico de droga. O traficante de 34 anos é também suspeito de dezenas de homicídios na região de Goiás ligados a disputas territoriais entre grupos criminosos.

As autoridades acreditam que BH controlou reclusos a partir do exterior da prisão e deu ordens para que membros armados do gangue iniciassem o primeiro motim, que fez nove mortos e 14 feridos. No total já houve três rebeliões em uma semana, as quais mais de 200 reclusos aproveitaram para fugir do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Desses 200 reclusos, 88 continuam em fuga.

O Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia alberga três vezes mais presos do que é suposto e, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça, encontra-se em “péssimas” condições. Segundo o G1, a prisão, que tem capacidade para cerca de dois mil reclusos, tinha 5.800 presos.

Os motins nas prisões, em geral sobrelotadas, são bastante comuns no Brasil, que tem uma das maiores populações reclusas do mundo. A Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru, tinha cerca de 8 mil reclusos — o dobro do que era suposto — à data do massacre em 1992, que resultou na morte de 111 reclusos após intervenção da Polícia Militar de São Paulo.