A jornalista Carrie Gracie, e até há pouco tempo editora da BBC China, demitiu-se do seu cargo na cadeia pública de rádio e televisão britânica por receber menos do que os seus colegas do sexo masculino que ocupam cargos semelhantes.

Gracie recusou um aumento salarial de 33%, segundo o jornal The Guardian, uma vez que aquilo que procura é igualdade salarial e não um aumento do seu salário. A proposta que lhe fizeram continuaria a manter uma grande disparidade relativamente ao montante que é pago aos homens.

Ganho 135 mil libras por ano. A BBC ofereceu um aumento para 180 mil libras. Contudo, eu não estava interessada em mais dinheiro, estava interessada na igualdade. Não senti que fosse uma solução”, disse Gracie no programa Woman’s Hour, na BBC Radio 4, acrescentando: “Senti que era uma solução fracassada que não ia tornar a BBC melhor… Isto não é igualdade; continuaria a haver uma grande discrepância entre mim e os meus colegas homens”, concluiu.

Quando questionada sobre quem deveria receber um corte no salário, a jornalista disse que acredita no serviço público, mas que “os salários daqueles que estão no topo” são inaceitáveis por serem tão elevados, concluindo que não tem informação suficiente para dizer quem deveria receber menos ou se isso deveria acontecer.

A ex-editora da BBC, fluente em mandarim e que trabalhava para o canal há mais de 30 anos, disse ainda, nesta primeira entrevista depois de se ter demitido, que todo o apoio que tem recebido “fala por si” no que “à fome de um sistema de pagamento igual e transparente” diz respeito.

Em julho de 2017, foi divulgada uma lista onde apareciam os empregados da BBC que ganhavam um salário superior a 150 mil libras, lista onde o nome de Carrie Gracie não aparecia. A jornalista escreve, numa publicação no seu blogue pessoal, que na secção internacional havia quatro jornalistas, duas mulheres e dois homens, e que “os homens ganhavam pelo menos 50% mais que as duas mulheres”.

O apoio mostra a “fome” pela igualdade salarial

Maria Miller, uma ex-secretária da cultura, que é agora presidente do comité para a mulher e igualdade da Câmara dos Comuns, já pediu à Comissão para os Direitos Humanos e Igualdade que investigue a BBC, por violar o direito de Carrie Gracie receber um salário igual.

Sarah Montague, uma das apresentadoras do programa Today que é a mais mal paga, foi uma das 130 mulheres, entre apresentadoras e produtoras, que assinou uma mensagem de apoio relativamente ao protesto de Gracie, com uma partilha no Twitter.

Também Lyse Doucet, correspondente da BBC, e Jess Phillips, membro do Partido Trabalhista mostraram o seu apoio no Twitter.

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, também se pronunciou, publicando no Twitter a carta escrita por Gracie. Sturgeon escreveu que a carta deve ser lida, mostrando todo o respeito pela jornalista.

Segundo a BBC, o ex-secretário da Cultura, John Whittingdale, que forçou a cadeia britânica a divulgar a lista com os salários, criticou o diretor, Tony Hall, por não ter resolvido a “diferença substancial” de salários entre homens e mulheres.

Num comunicado, a BBC disse que a “equidade no pagamento é vital”, acrescentando que estão a ter “um desempenho consideravelmente melhor que muitos que se encontram bem abaixo da média nacional”.