“A violação é um crime. Mas tentar seduzir alguém insistentemente ou de forma desajeitada não é, nem o cavalheirismo é uma agressão machista”. Assim começa a carta — escrita por 100 mulheres, incluindo as atrizes Catherine Deneuve e Ingrid Caven e a escritora Catherine Millet — publicada no jornal francês Le Monde, que defende, logo no título, que os homens devem ter a “liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual”.

Esta onda de acusações é, para as 100 mulheres, uma “febre para enviar «porcos» para o matadouro”. Em França, a campanha chamou-se #BalanceTonPorc. As autoras lamentam os homens denunciados não tenham tido “oportunidade de responder ou se defenderem”.

Os homens foram punidos, obrigados a demitir-se, quando tudo o que eles fizeram foi tocar o joelho de alguém, tentar roubar um beijo, falar sobre coisas «íntimas» num jantar de negócios ou enviar mensagens sexualmente explícitas para uma mulher cuja atração era recíproca”, pode ler-se na carta.

É uma carta contra o #metoo — um movimento que denunciou casos de assédio sexual e violação que foi considerado a figura do ano 2017 da revista Time. Ainda assim, as autoras da carta reconhecem que o caso de Harvey Weinstein desencadeou uma onda de “consciência legítima da violência sexual contra as mulheres, particularmente no local de trabalho, onde alguns homens abusam do poder”.

A lista (sempre incompleta) dos 237 acusados de assédio sexual. 51 conhecidos, 36 não revelados, e 150 desconhecidos

“Como mulheres, não nos reconhecemos neste feminismo, que além de denunciar o abuso de poder assume um ódio aos homens e à sexualidade“, escrevem as 100 mulheres, acrescentando que estão “suficientemente conscientes de que o desejo sexual é por sua natureza selvagem e agressivo”. As autoras garantem ainda que estão com os “olhos abertos o suficiente para não confundir uma tentativa incómoda de escolher alguém com um ataque sexual “.

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