Algumas das melhores entrevistas ou reportagens envolvendo personalidades do mundo do desporto encontram como ponto comum o facto de terem como entrevistados e entrevistadores antigos companheiros de profissão ou mesmo de equipa. Porque há um maior à vontade, porque existe uma outra confiança, porque sabem melhor do que ninguém do que falam. E foi isso que aconteceu esta semana com Éric Abidal e Olivier Dacourt.

https://www.youtube.com/watch?v=BVar7Kzqzgk

Numa conversa para os franceses do Canal +, o antigo defesa do Barcelona entre 2007 e 2013 (passou também por Mónaco, Lille, Lyon e Olympiacos) recordou alguns dos capítulos mais marcantes da dura batalha que teve de travar contra um cancro no fígado com o ex-médio gaulês de Estrasburgo, Everton, Lens, Leeds, Roma, Inter, Fulham e Standard Liège. Por exemplo, as lágrimas que não conseguiu controlar quando viu Thierry Henry, ex-avançado de Mónaco, Juventus, Arsenal, Barcelona e New York Red Bulls, a visitá-lo no hospital após a operação: “Quando o vi, chorei como uma criança. Não queria que ele me visse assim, mas gostei que me tivesse ido ver”.

O que passei é uma dor que vai ficar para toda a vida. Era insuportável. Quando o médico me disse que tinha de ser operado outra vez fiquei feliz, mas foi um sofrimento que não desejo a ninguém, a ninguém mesmo”, destacou o antigo defesa francês.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A certa altura, recordando também os seis anos passados em Camp Nou, Abidal salientou a disponibilidade que Dani Alves mostrou para lhe dar parte do fígado (“Estava a falar a sério, mas não pude aceitar porque também tinha uma carreira e uma família”, explicou) e contou um episódio para falar da tristeza sentida por Messi.

https://twitter.com/Sportags/status/951105859651801091

Fiz um vídeo para ajudar e animar os jogadores do Barcelona antes dos jogos, mas Messi pediu-me para que não enviasse mais coisas assim porque afetava toda a equipa, fazia-lhes mal. Nos vídeos só dizia ‘Ânimo rapazes, estou com vocês’ e via-me bem, mas eles diziam-me que me viam como um cadáver”, explicou.

Foi uma frase fortíssima que rapidamente se tornou viral e correu mundo, mas em alguns casos acabou por ser mal interpretada, quase dando a ideia de que o argentino não estaria interessado em acompanhar o ex-companheiro. Apercebendo-se dessa reação, Abidal fez um esclarecimento através da sua conta oficial no Twitter.

O abraço entre Abidal e Messi após o anúncio da saída do francês do Barcelona, em 2013 (QUIQUE GARCIA/AFP/Getty Images)

“Esclarecimento: quando enviei o vídeo para animar a equipa, Leo Messi nunca me disse para não enviar mais coisas ou que não queria saber de nada. Leo disse-me que não gostava de me ver assim, mas em nenhum momento teve palavras más para mim”, destacou o internacional francês que conquistou com o cinco vezes melhor do Mundo quatro Campeonatos, duas Ligas dos Campeões, dois Mundiais de Clubes, duas Supertaças Europeias, duas Taças do Rei e três Supertaças de Espanha nas seis épocas em que foram companheiros no Barça.