A Diretora-Geral da Saúde concorda a utilização da canábis para fins terapêuticos. Graça Freitas defendeu o uso médico da substância caso esteja em questão o bem-estar e o conforto dos pacientes. Em entrevista à TSF, disse que não tem “nenhum preconceito ao uso da canábis, antes pelo contrário”.

Todo o conforto, tudo o que se puder fazer para que os doentes não tenham dor, para que tenham bem-estar, boa qualidade de vida, para que melhorem a sua situação de base, e se de facto houver evidência científica, como parece que há, [a canábis] usada terapeuticamente, não tenho nenhuma objeção”, explicou a Diretora-Geral da Saúde.

A sucessora de Francisco George recordou que “muitos de nós ao longo da vida usam opiáceos, que à partida seria uma droga, mas usam opiáceos de forma medicamente controlada com o objetivo de acalmar a dor, tirar sintomas incómodos, dar bem-estar às pessoas e dar qualidade de vida”, logo, não vê qualquer objeção ao semelhante uso da canábis.

Os projetos de lei propostos pelo Bloco de Esquerda e pelo PAN para a legalização da canábis vão baixar à discussão em comissão de especialidade, sem que tivesse passado pela votação na generalidade. Isto significa que as propostas de legalização desta droga para fins terapêuticos vai agora ser discutida na comissão parlamentar de saúde e só depois sujeito a votação final.

O prazo para que a comissão parlamentar chegue a uma versão final é de 60 dias. Esta decisão foi tomada depois de o PSD anunciar que ia apresentar o seu próprio projeto-lei. Tanto o PAN como o Bloco de Esquerda concordaram com a discussão na especialidade por dois meses e assumem retirar a proposta de autocultivo — a possibilidade de cada pessoa poder ter em casa uma planta para utilização medicinal, medida que gerou grande controvérsia. PSD, CDS e PCP estavam contra os projetos-lei apresentados pelo Bloco e pelo PAN por não concordarem com a hipótese do autocultivo.