Milhares de peruanos manifestaram-se, na quinta-feira em diferentes cidades, contra o indulto concedido ao antigo Presidente Alberto Fujimori, que cumpria uma pena de prisão de 25 anos por crimes contra a humanidade.

O protesto com maior adesão foi registado na capital, Lima, com mobilizações formadas em distintos pontos da cidade a percorrerem as ruas até convergir no ponto central: a praça Dos de Mayo.

Também foram realizadas marchas em cidades do interior do país, como em Barranca, Ayacucho, Cuzco, Piura e Arequipa, onde organizações civis e sociais se manifestaram pacificamente sob escolta da polícia para exigir a revogação do indulto concedido a Alberto Fujimori (1990-2000) na véspera de Natal.

“O indulto é um insulto” foi o lema principal do protesto a nível nacional em que foi notória a presença de afiliados da Confederação Geral de Trabalhadores do Peru (CGTP), o maior sindicato do país.

Também participaram na manifestação representantes de partidos políticos, como os esquerdistas Nuevo Peru e Frente Amplio, cujo principal líder, o deputado Marco Arana, afirmou que vão insistir na apresentação de uma moção ao Congresso para destituir o Presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, que concedeu o indulto a Alberto Fujimori.

“Decorrem consultas com diversos congressistas e bancadas para se conseguir os votos necessários para apresentar essa moção”, explicou ao Canal N.

Arana salientou que “a rejeição [por parte dos cidadãos é clara” e qualificou o indulto de “pacto de imunidade” entre Kuczynski e uma fação do ‘fujimorismo’, liderada pelo também congressista Kenji Fujimori, o filho mais novo do antigo Presidente peruano.

“Quis-se fazer passar um indulto negociado como um indulto humanitário”, sustentou.

Kuczynski concedeu o indulto, por razões humanitárias, três dias depois de a fação do ‘fujimorismo’ liderada por Kenji se ter abstido de votar a proposta de destituição apresentada no Congresso contra o chefe de Estado pelos vínculos de uma empresa sua à construtora brasileira Odebrecht, protagonista do maior escândalo de corrupção da América Latina.

A líder do Nuevo Peru, Verónika Mendoza, que aderiu à manifestação em Cuzco, declarou que o povo peruano está “carregado de indignação, mas também de esperança”.

“O senhor Kuczynski tem que ir embora porque atraiçoou a pátria, porque mentiu ao povo peruano de forma descarada”, observou.

Horas antes das mobilizações, o Presidente do Peru afirmou, num ato público realizado em Piura, que “há muito por fazer” no país, pelo que o seu Governo quer trabalhar e não está interessado em discussões.

Alberto Fujimori, de 79 anos, deixou no início do ano a clínica privada em Lima onde tinha sido internado devido a tensão arterial baixa e arritmia.

Após o perdão a Fujimori, quando ainda estava internado, milhares de peruanos têm saído para a rua nas principais cidades do país em protesto.

Contudo, de acordo com uma sondagem do Instituto Ipsos, publicada no final de dezembro, a amnistia granjeia a aprovação da maioria dos peruanos.

Segundo a sondagem, publicada pelo jornal El Comercio, 56% dos peruanos mostraram-se a favor do indulto concedido a Alberto Fujimori, e 40% contra.