12,7 mil milhões de libras ou 2.300 libras (quase 2.600 euros) por pessoa e por ano até 2030. Esta será a pior fatura para a Escócia que poderá resultar da saída do Reino Unido da União Europeia.

O Governo escocês apresentou esta segunda-feira as suas contas sobre o impacto económico do Brexit, uma iniciativa da primeira-ministra Nicola Sturgeon depois de Londres ter recusado revelar os estudos sobre os efeitos na economia e finanças do divórcio inglês. O pior cenário considerado — os tais 12,7 mil milhões de libras (14,3 mil milhões de euros) — é aquele em que a Escócia falha a permanência no mercado único ou o acesso a um acordo de comércio livre. Esta seria a penalização para a economia escocesa até 2030.

A análise pondera os impactos ao nível do comércio, produtividade e migrações das possíveis futuras relações com a União Europeia. E mostra que um acordo do tipo Canadá, inspirado na relação comercial entre este país e a UE, ainda deixaria um rasto de perdas de nove mil milhões de libras para o produto interno escocês, o que equivale a 1610 libras por cabeça.

O estudo apresenta ainda outras conclusões, segundo a síntese divulgada pelo Governo da Escócia:

  • Ficar no mercado único poderá trazer um benefício adicional à economia escocesa se a União Europeia fizer progressos na conclusão do mercado único da energia, serviços e economia digital.
  • Contínua migração da União Europeia em linha com a liberdade de circulação é necessária para suportar o crescimento económico ininterrupto. Cada cidadão adicional da UE a trabalhar na Escócia contribui em média com 10400 libras em receita fiscal.
  • Qualquer relação com a União Europeia que fique aquém de uma presença no mercado único pode ter impacto significativo na proteção social, ambiente e políticas para o consumidor.

Em comentário ao estudo Scotland Place in Europe: People, Jobs and Investment, a primeira-ministra Nicola Sturgeon avisou:

“Ao insistir em condições prévias de linha dura (o chamado hard Brexit), o Governo britânico está a fechar as portas ao que pode ser alcançado em negociações com a União Europeia sobre as futuras relações”. No seu discurso deixou ainda o apelo:

Para defender os empregos, a economia e a próxima geração, pedimos hoje ao Governo britânico para deixar cair as linhas vermelhas para que a Escócia e o Reino Unido possam ficar dentro do mercado único e da união aduaneira.”

O estudo pode ser consultado na íntegra aqui.

http://www.gov.scot/Resource/0053/00530160.pdf