O Centro de Integridade Pública (CIP) classificou esta segunda-feira como sendo uma “confusão” os erros constantes nos cadernos eleitorais que serão usados para a eleição intercalar do próximo dia 24 no município de Nampula, norte de Moçambique.

Num comunicado distribuído em Maputo, aquela organização não governamental moçambicana refere a entrega pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) de documentos em formato eletrónico com informação desorganizada, incompleta e diferente da que consta dos cadernos eleitorais impressos.

“A informação que estava nos ‘flash’ era diferente uma da outra e esta situação pode explicar por que razão a Renamo e o MDM encontraram nos ‘flash’ informação divergente um do outro quando a mesma devia ser igual”, refere aquela organização.

Nos documentos entregues aos mandatários dos partidos, prossegue a nota, havia pastas em falta e duplicadas, que não abriam ou que não tinham conteúdo.

“Havia documentos repetidos e documentos que, estando nas pastas, não abriam”, diz o CIP, citando o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, que na sexta-feira admitiu a existência de erros nos cadernos eleitorais.

O CIP lembra que após as reclamações da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido, o presidente da CNE, Abdul Carimo, teve de se deslocar a Nampula de emergência para ajudar a resolver a situação.

“A solução encontrada foi invalidar imediatamente as listas entregues pela Comissão Provincial de Eleições de Nampula e usar as listas de 2014 referentes às eleições gerais na cidade de Nampula”, realça o CIP.

A eleição intercalar no município de Nampula, terceira principal cidade moçambicana, será realizada na sequência do assassínio a tiro do respetivo presidente da câmara, Mahamudo Amurane, a 4 de outubro de 2017.

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Paulo Cuinica, disse à Lusa que estão inscritos 296.590 eleitores para a votação do dia 4.

A votação irá decorrer em 401 mesas colocadas em 54 postos de votação.

Ao escrutínio concorrem Amisse Cololo, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, Paulo Vahanle, da Renamo, Carlos Saíde Chaúre, do MDM.

Outros candidatos são Filomena Mutoropa, do Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO), e Mário Albino, da Ação Movimento Unido Salvação Integral, constituído por um grupo de cidadãos da cidade de Nampula.