Charles Darwin é o pai da Teoria da Evolução. Dedicou a vida inteira à teoria de que nada, absolutamente nada, simplesmente surge na face da Terra: vem de algum lado, nasce de algum lado, teve uma espécie de pai, avô, bisavô, tri, tetra e por aí fora que ao longo de milhões e milhões de anos se desenvolveu até chegar a uma nova forma. E era por isso que o biólogo inglês vivia aterrorizado com a ideia de que a sua teoria poderia ser arruinada por algo tão simples como as plantas com flor. A possibilidade tirava-lhe o sono ao ponto de Darwin lhe chamar o “abominável mistério”. Mas porquê?

Os fósseis e a investigação científica indicavam que as plantas com flor tinham surgido de uma maneira repentina e se tinham multiplicado a uma velocidade alucinante. Hoje, sabemos que a evolução não é sempre lenta e gradual e, por vezes, mudanças dramáticas no meio ambiente ou inovações nos seres vivos permitem que a Natureza se desenvolva mais rapidamente – ou seja, apenas em milhões de anos, e não milhares e milhares de milhões. Mas isto não explica tudo.

O ABC conta que duas equipas norte-americanas – uma da Universidade de São Francisco e outra de Yale – trabalharam em conjunto e resolveram o “abominável mistério” das flores. A resposta dá-se com apenas uma palavra: miniaturização. Os cientistas perceberam que uma redução no tamanho dos genomas (o conjunto de genes) das plantas com flor permitiu que as suas células também diminuíssem, o que lhes garantiu uma grande vantagem face às outras espécies. E foi por isto que, durante o período Cretáceo, estas plantas se diversificaram como nunca tinha acontecido e, atualmente, representam 90% das plantas terrestres. O pequeno tamanho das células tornou possível que muitas se acumulassem no mesmo espaço, tornando a difusão de água e nutrientes mais célere.

Além da redução dos genomas e das células, as plantas com flor fazem uma “super fotossíntese” que lhes garante um crescimento muito mais rápido do que o das plantas sem flor. Mas a resolução do “abominável mistério” levantou outras duas questões: porque é que foram as plantas com flor a recorrer a esta diminuição do tamanho das células e, já agora, porque é que as plantas sem flor não se extinguiram? Talvez estes dois mistérios tirem o sono a um outro Darwin algures e, daqui a umas centenas de anos, se descubra a resposta.