As denúncias de assédio sexual em Hollywood continuam a ser notícia, mas, desta vez, é uma atriz que vem defender um dos nomes da indústria acusados de conduta imprópria. Leah Remini defende o realizador Paul Haggis das acusações de que é alvo e diz que a culpa de tudo está na anterior ligação de Haggis com a Igreja da Cientologia.

No início do mês, quatro mulheres dirigiram-se à agência Associated Press com acusações referentes aos alegados comportamentos de má conduta por parte do realizador. Uma delas, Haleigh Breest, nome também ligado à indústria do cinema, acusa o realizador de a ter violado em 2013 e deu início a uma ação judicial contra Haggis (realizador de filmes como “Colisão”, de 2004, e também argumentista, que assinou, por exemplo, “Million Dollar Baby”, do mesmo ano).

Na semana passada, o realizador abandonou o cargo de diretor numa instituição de caridade, a Artists for Peace and Justice, e negou ter violado fosse quem fosse, como avança o jornal The Independent. Haggis acrecentou que Haleigh Breest pediu 9 milhões dólares para evitar a ação judicial, quantia que o realizador considerou exagerada.

Agora, numa carta aberta, assinada pela atriz e por Mike Rinder (antigo executivo da Igreja da Cientologia, que deixou a instituição em 2007), e publicada no blog deste, é dito que Paul Haggis, além de não ser culpado, está a ser vítima de acusações anónimas que estão relacionadas com a Cientologia, instituição a que os três já pertenceram.

Leah Remini e Mike Rinder em 2017 (Frederick M. Brown/Getty Images)

Tanto Leah Remini como Mike Rinder escrevem que Paul Haggis é um “bom amigo”, alguém que sempre defendeu os direitos das mulheres e da comunidade LGBTI. Na carta, explicam ainda porque é que a Igreja da Cientologia está envolvida nas acusações feitas ao realizador de cinema.

“O que é diferente na Igreja da Cientologia são os detalhes que eles sabem sobre a vida dos membros”, lê-se na carta. Também é escrito que provavelmente a informação pessoal do realizador nos “arquivos” que a igreja guarda pode ter sido usada de maneira errada e daí terem surgido as acusações anónimas.

“Só quem pertence à Igreja da Cientologia sabe a pressão que eles fazem para descobrir informações, mesmo que pequenas, detalhes da vida das pessoas que eles consideram transgressões aos seus costumes. Estas informações depois são usadas contra quem sai da Igreja e fale do que se passava lá dentro”, escreveram os dois atores.

A carta termina dizendo que o realizador merece ser julgado apenas quando forem reunidas todas as evidências suficientes para tal, porque “acusações anónimas não são credíveis”, acrescentam ambos.

A resposta da Cientologia

Numa entrevista feita à atriz para o site USA Today, e durante exibição da série “Leah Remini: Scientology and the Aftermath”, foram muitas as críticas feitas à igreja. Remini disse que a Cientologia culpa as vítimas de violação e nega quaisquer terapias que vão além daquilo que está dentro dos princípios da igreja.

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Perante as críticas, e depois do que a atriz disse sobre as acusações de que foi alvo Paul Haggis, a Igreja da Cientologia já respondeu. Num comunicado a que o site Deadline teve acesso, é possível ler-se que “os dois atores transformaram as acusações de assédio sexual feitas contra o realizador num ataque contra a Igreja, da qual já foram membros”.

“Eles [Leah Remini e Mike Rinder] esqueceram-se de mencionar que as acusações feitas a Haggis vêm de pessoas que não estão na Igreja, e não têm nada a ver com a Cientologia. Não só aquilo que eles disseram é uma teoria da conspiração, como também ofendem as alegadas vítimas com bastante intensidade”, pode ler-se no comunicado.

A igreja acrescenta ainda que nunca conheceu nenhuma das mulheres que acusam Haggis e também não sabe nada sobre as acusações. Mas sublinham que é “hipócrita que, por exemplo, Mike Rinder defenda o realizador quando ele próprio tem um historial de violência doméstica e mau comportamento relativamente às mulheres e não tenha outros argumentos se não os de atacar a Cientologia”.

Paul Haggis deixou Igreja da Cientologia em 2009, depois de 35 anos como membro. Mike Rinder deixou a mesma instituição mais tarde, em 2007, e a atriz Leah Remini em 2013.