Stephen Bannon, antigo conselheiro do presidente Donald Trump e membro da campanha presidencial do milionário, foi intimado na semana passada a testemunhar perante um grande júri. A informação foi dada ao New York Times por uma fonte ligada ao processo do procurador-especial Robert Mueller, que está a investigar possíveis ligações da campanha Trump ao Kremlin.

Esta é a primeira vez que a investigação intima um antigo membro do círculo próximo do Presidente a testemunhar perante um grande júri, mas a decisão, de acordo com o jornal, pode não passar de uma “tática negocial”. “Ao forçar uma pessoa a testemunhar através de uma intimação, está a dar-se cobertura à testemunha porque assim ela pode dizer ‘não tive escolha — tive de ir e testemunhar sobre tudo o que sei'”, disse ao jornal Solomon L. Wisenberg, procurador que fez parte de um conselho que investigou Bill Clinton durante a sua presidência.

O Times explica ainda que, de acordo com uma fonte, o mais provável é que o procurador permita a Steve Bannon livrar-se do testemunho perante um grande júri caso aceite ser questionado por investigadores num “ambiente menos formal” como os escritórios da procuradoria-especial. Durante a inquirição de um grande júri, o testemunho é inteiramente transcrito e a pessoa questionada é obrigada a responder a todas as perguntas.

Esta terça-feira, Bannon foi ouvido pelo Comité das Secretas da Câmara dos Representantes, que também está a investigar a influência russa na campanha presidencial de 2016, mas a audição foi à porta fechada. Segundo a agência Reuters, esta semana serão ainda ouvidos o antigo diretor de campanha de Trump, Corey Lewandowski, e a atual diretora de comunicação da Casa Branca, Hope Hicks.

A intimação de Mueller a Bannon surge depois da publicação do livro “Fire and Fury”, onde o ex-conselheiro é citado a classificar o encontro de Donald Trump Jr. com uma advogada russa de “um ato de traição”. O Presidente reagiu dizendo que “o desleixado Bannon” está “de cabeça perdida” desde que saiu da Casa Branca. Este mês, Bannon foi despedido do cargo de diretor executivo do site de extrema-direita Breitbart.