Mário Centeno fez a sua primeira visita oficial enquanto presidente do Eurogrupo a Berlim, onde viu o ministro das Finanças alemão, Peter Altmaier, declarar o seu apoio à sua presidência, mas também a garantir que a Alemanha se vai manter fiel aos seus princípios e quer a redução do risco antes de estes começarem a ser partilhados.

Depois de vários anos de divergências públicas com Wolfgang Schäuble, Mário Centeno fez a sua primeira visita enquanto presidente do Eurogrupo a Berlim, capital da maior economia da zona euro e de um dos mais influentes membros do grupo informal de ministros das Finanças do euro.

De Peter Altmaier, ministro interino das Finanças enquanto não há novo governo na Alemanha, o governante português recebeu uma declaração inequívoca de apoio, mas também a ideia de que a sua tarefa não será fácil para aproximar as posições e fechar alguns dos dossiês mais importantes que terá de gerir nos próximos dois anos e meio.

“Poderás contar com o apoio da Alemanha. Por outro lado, estamos convictos que as tuas propostas irão na direção certa para melhorar todos”, disse o ministro alemão na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro entre os dois ministros, no Ministério das Finanças em Berlim.

No entanto, Altmaier deixou um aviso: “temos de nos manter fieis aos nossos princípios”. Parte desses princípios, explicou-os logo de seguida, quando disse a Alemanha defende que os “riscos sejam reduzidos, antes de serem repartidos”, em resposta ao futuro da União Bancária e à discussão sobre o futuro esquema de garantia de depósitos europeu.

Mário Centeno teve uma posição mais cautelosa do que aquela que vinha a defender antes de ser presidente do Eurogrupo, defendendo que têm os governos do euro têm de “continuar a tomar medidas para reduzir o risco” e que esse “é um objetivo de todos os países da zona euro”. A solução, diz, “não pode ser conseguida à custa dos esquemas de garantia de depósitos dos países”, e terá de passar sempre por uma posição comum e que seja feita “de uma forma que seja confortável para todos”.

O presidente do Eurogrupo reafirmou em Berlim algumas das suas prioridades, que passam pela finalização da União Bancária, a simplificação das regras orçamentais europeias de forma a que sejam entendíveis pelos cidadãos e ainda que pretende que o cargo que desempenha agora venha a ser assumido por um presidente a tempo inteiro, com as competências de um ministro das Finanças da zona euro.

As eleições recentes e a retoma da economia europeia criaram uma janela de oportunidade, diz Mário Centeno, para pensar no que já foi feito e aperfeiçoar o trabalho, assim como criar as bases para que no futuro a economia europeia seja mais resistente a crises.

A ideia da criação de um ministro das Finanças da zona euro, muito querida aos socialistas europeus, não é algo que para Peter Altmaier deva ser discutido entre o Eurogrupo. Para o alemão, é uma competência do Conselho Europeu, onde estão os líderes dos governos da zona euro, e é lá que essa conversa deve ser tida.

“É uma questão muito interessante. Poderíamos estar aqui dias a falar sobre ela, mas não está no âmbito das competências do Eurogrupo, está no âmbito das competências do Conselho”, disse o alemão.