Um antigo agente da CIA, que alegadamente revelou a rede de espionagem norte-americana na China às autoridades chinesas, foi detido em Nova Iorque. Jerry Chun Shing Lee foi preso no aeroporto JFK, seis anos depois do FBI ter descoberto que viajava com blocos de notas que continham os nomes e identidades de todos os agentes infiltrados norte-americanos na China.

Lee, que vive em Hong Kong, é um chinês de 53 anos que se naturalizou norte-americano e cujo nome verdadeiro é Zhen Cheng Li. Cresceu nos Estados Unidos e foi militar até se juntar à CIA, em 1994. É suspeito de ter divulgado os nomes dos agentes norte-americanos às autoridades chinesas, naquela que se tornou uma das derrotas de espionagem mais mortíferas para os Estados Unidos desde a Guerra Fria. De acordo com o New York Times, entre 2010 e 2012, os chineses mataram ou prenderam mais de 12 agentes infiltrados norte-americanos na China.

O mesmo jornal conta que foi o FBI que começou a investigar, já que a CIA recusava a possibilidade de ter um agente duplo na equipa. Lee apresentou-se em tribunal pela primeira vez esta terça-feira, onde respondeu pelo crime de retenção de informação sobre a defesa nacional. Segundo o The Guardian, nem o FBI nem a CIA explicaram porque é que não foi acusado de nenhum crime relacionado com a divulgação de informação classificada ou espionagem para um Governo estrangeiro.

Aliás, a investigação a Jerry Chun Shing Lee foi atípica desde o princípio. Em 2012, durante uma viagem ao Havai, a bagagem do alegado agente duplo foi revistada pelo FBI e os blocos de notas foram descobertos pela primeira vez. Mas nada aconteceu. Agora, seis anos depois, foi finalmente preso.