O primeiro-ministro são-tomense acusou esta quarta-feira os partidos da oposição de “manchar o bom nome do país, afugentar investidores, criar clima de medo e de instabilidade”, tendo por isso convidado uma missão da ONU para se deslocar ao país.

“Aquilo que aconteceu no nosso parlamento não abona a favor das nossas instituições, não abona a favor do exercício democrático, traduz uma imagem triste e errada daquilo que é a nossa democracia”, disse Patrice Trovoada.

Patrice Trovoada falava a jornalistas na sequência dos acontecimentos ocorridos nos últimos dias na Assembleia Nacional (Parlamento), onde os deputados da oposição tentaram boicotar a eleição dos cinco juízes do Tribunal Constitucional (TC), levando o Governo a enviar para o parlamento uma força de choque da policia “para manter a ordem”.

Patrice Trovoada acusou ainda a oposição de nos últimos dias mover “uma política de terra queimada”.

“Podemos ter as nossas divergências, mas é muito penoso ver destruído todo o esforço que temos feito no sentido de melhorarmos o Estado de direito democrático, a imagem internacional do país, o nível de confiança dos parceiros internacionais públicos e privados, por uma campanha de difamação, de mentiras alarmistas que poderão eventualmente traduzir-se numa escassez ainda maior do apoio internacional”, lamentou o primeiro-ministro.

Rejeitou as alegações segundo as quais a “polícia invadiu a sala de plenário da assembleia nacional para expulsar deputados da oposição”, sublinhando, no entanto, que “a Assembleia Nacional estava numa situação de profunda confusão com deputados da oposição partindo urnas”.

Os deputados procediam à eleição dos juízes do TC, que acabaram por ser eleitos apenas pela maioria parlamentar do partido no poder, Ação democrática Independente (ADI).

A imagem atual do país aos olhos da comunidade internacional preocupa “seriamente” o chefe do Governo, que anunciou para os próximos dias a deslocação ao arquipélago do representante das Nações Unidas na região.

“Eu pedi ao ministro dos Negócios Estrangeiros para convidar o representante especial do secretário-geral para África Central, das Nações Unidas para fazer uma missão de informação a São Tomé e Príncipe”, disse.

“É bom que a comunidade internacional tenha o conhecimento exato daquilo que aconteceu, é preciso vir aqui, falar com toda a gente, tomar posse de todos os elementos, toda a documentação para saber, de facto, aquilo que se passa em São Tomé e Príncipe”, explicou Patrice Trovoada.

Entretanto, uma missão do MLSTP-PSD, do Partido da Convergência Democrática (PCD) e da União para Cidadania e Desenvolvimento (UDD) também se deslocou à sede da representação das Nações Unidas na capital são-tomense na segunda-feira para “dar uma informação mais objetiva e concreta possível à representação das Nações Unidas sobre o que se está a passar no país, nomeadamente as múltiplas violações e atropelos às leis do país”.

O encontro com a representante do sistema da ONU na capital são-tomense aconteceu justamente na altura em que a polícia foi chamada para intervir na sala de plenário do parlamento por causa do conflito entre os deputados do poder e da oposição.