As reclusas do Centro Penitenciário Feminino de Santiago, no Chile, pediram terça-feira ao papa Francisco que interceda junto da justiça para aliviar as penas das mulheres que têm filhos pequenos.

O pedido foi feito durante uma visita que o pontífice realizou, com a Presidente do Chile, Michelle Bachelet, a esta prisão, construída no município de São Joaquim, com capacidade para 1.080 reclusas, mas que alberga mais de 1.200 mulheres.

Jeannette Zurita, que falou em nome das prisioneiras, entregou ao papa uma petição “para que interceda junto do sistema judicial no sentido de mudar as penas das mulheres que são mães de menores de idade”. A porta-voz exprimiu o desejo de que estas mulheres “possam pagar a sua dívida para com a sociedade sem prejudicar os seus filhos, evitando que sejam, também eles, futuros condenados”.

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“Este é um lugar muito ingrato (…) sofre-se, e a dor é ainda mais forte, não por estarmos presas, mas por estarmos longe dos nossos filhos”, lamentou a condenada a 15 anos por tráfico de droga. De acordo com a reclusa, as crianças mais afortunadas são as que ficam com os avós, mas muitos são abandonados à sua sorte, ou entram no Sename (Serviço Nacional de Menores).

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“Todos sabemos o que se passa dentro desses centros de menores”, queixou-se, aludindo às 1.313 mortes de crianças ocorridas entre 2005 e 2016, em centros dependentes ou colaboradores deste organismo. Agradeceu ainda a visita do papa ao Chile e às “pessoas mais esquecidas do país”, que representam “cerca de 50 mil homens e mulheres pobres e vulneráveis, privados de liberdade”.

O papa aterrou na noite de segunda-feira na capital chilena para a primeira visita a esta nação com 17 milhões de habitantes, desde que assumiu o papado, em 2013. Francisco encontra-se no Chile para uma visita de três dias.