Administração e Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa prosseguem na segunda-feira as negociações para o novo acordo laboral, mas o movimento Juntos pelos Trabalhadores da Autoeuropa promete manifestar-se domingo contra a imposição do novo horário transitório.

“No domingo, pelas 11h00, vamos fazer uma vigília, junto ao portão de entrada da fábrica, contra a imposição do novo horário, que não agrada aos trabalhadores e que não cumpre o artigo 233 do Código de Trabalho, porque não respeita as 35 horas de descanso na transição entre turnos”, disse à agência Lusa um trabalhador da Autoeuropa que integra aquele movimento.

“A empresa não dimensionou a fábrica para o volume de produção do novo veículo T-Roc. Os trabalhadores esperavam ter uma melhoria das condições de trabalho com a vinda de um veículo com este volume de produção, mas, o que está a acontecer é que vamos ficar ainda pior do que estávamos”, lamentou.

Independentemente das negociações sobre o acordo laboral e da contestação aos novos horários impostos pela empresa, após a rejeição de dois pré-acordos negociados com a Comissão de Trabalhadores, o novo horário transitório, que inclui o trabalho aos sábados, vai mesmo entrar em vigor no final do mês de janeiro.

Os trabalhadores da Autoeuropa, que serão distribuídos por três turnos — 07:00/15:30, 15:20/23:50 e 23:40/07:10 -, foram consultados pela empresa sobre a possibilidade de a rotação no turno da noite se fazer de semana a semana, mas a maioria ter-se-á pronunciado a favor da solução inicial proposta pela empresa, ou seja, pela rotação de três em três semanas.

A contestação aos novos horários poderá subir de tom nos próximos plenários que deverão ter lugar no dia 26 de janeiro, em que os trabalhadores da Autoeuropa deverão reapreciar uma proposta que já tinha sido aprovada nos plenários de 20 de dezembro, para a realização de uma greve nos dias 2 e 3 de fevereiro.

A administração da Autoeuropa e os representantes dos trabalhadores reuniram-se hoje para discutir o novo acordo laboral, mas nenhuma das partes divulgou qualquer informação sobre a forma como estão a decorrer as negociações, que serão retomadas já na próxima segunda-feira.

A Autoeuropa deverá produzir este ano mais de 240 mil veículos, o maior número de sempre de veículos produzidos na fábrica de automóveis da Volkswagen em Palmela.