Um aumento de 40% no número de veículos eléctricos nas estradas da Alemanha, até 2035, não só será facilmente absorvido pela rede eléctrica do país, como trará ganhos acrescidos para as empresas de serviços públicos, concluiu um estudo independente, elaborado pela agência de estudos de mercado Aurora Energy Research.

De acordo com este mesmo trabalho, um crescimento deste nível no parque circulante eléctrico alemão resultará num peso adicional de 31 terawatts/hora (TWh) para a rede eléctrica do país. Valor que, ainda assim, representa apenas 5% do consumo total anual em território alemão, facto que o torna perfeitamente comportável, até pela forma como o número de unidades de captação de energia renovável tem vindo a crescer.

A mobilidade eléctrica tornar-se-á, nessa altura [2035], na escolha mais económica, sendo que o seu impacto na rede eléctrica alemã tenderá a ser apenas moderado”, afirma um dos autores do estudo, Benjamin Merle. Acrescentando que não há “qualquer risco de possível aumento dos preços da energia para a habitação ou indústria”.

46 milhões de viaturas na Europa, só 0,1% eléctricas

Em Janeiro de 2017, o parque automóvel dos pequenos carros de passageiros na Europa rondava os 46 milhões de veículos e, destes, apenas 0,1% eram eléctricos, revelam números oficiais.

Ainda assim, e com cerca de 10% dos automóveis em circulação a serem substituídos todos os anos, a Aurora Energy Research antecipa que a queda nos custos da produção das baterias e o melhor desempenho, em termos ambientais, dos carros eléctricos face aos modelos com motores de combustão, levarão a que se assista a uma adopção em massa dos eléctricos.

A filial alemã da empresa de estudos com sede em Oxford, no Reino Unido, acredita que, em 2035, os veículos eléctricos emitirão menos 40% de dióxido de carbono que as viaturas com motores de combustão. Isto, ao mesmo tempo que parte do princípio de que o surgimento de baterias de mais alta densidade ajudarão a garantir melhores prestações e autonomias, ao mesmo tempo que as redes de carregamento evoluirão no sentido de corresponder à procura.

Por outro lado, estima-se que o preço da energia duplique, em 2035, para valores na ordem dos 60 euros por megawatt/hora. Até porque a Alemanha está a descartar a capacidade nuclear barata e muita da sua capacidade de produção de energia a partir do carvão.

Com base nesse valor, os custos adicionais necessários deverão levar a que os 31 TWh fiquem por um preço a rondar os 2,7 euros/MWh, avança o Benjamin Merle. Defendendo que, com este preço, as empresas de serviços públicos deverão ganhar entre 500 e 700 milhões de euros por ano, antes de juros e impostos (EBIT), desde que estejam na disposição de explorar oportunidades de cross-selling com startups que têm vindo a desenvolver novas soluções de carregamento. Entre estas, está igualmente a disponibilização de tarifas mais baixas, por exemplo, nos carregamentos de eléctricos durante a noite, ou utilizando os mesmos veículos eléctricos como estações de armazenamento temporário, que depois voltam a descarregar essa energia na rede, a preços mais convidativos.