Janeiro não foi um mês agradável para os clientes que continuam à espera que lhe seja entregue o Model 3, que encomendaram e já sinalizaram com 1.000$ à Tesla. Mas também não foi para Jason Mendez e Will McColl. Os dois foram, até aqui, importantes funcionários do construtor americano e tidos como responsáveis dos problemas relativos ao ritmo de produção, tendo agora sido despedidos, no seguimento de muitos outros, que foram convidados a sair em 2017.

Jason Mendez, que trabalhava na Tesla desde 2005, desempenhada ultimamente a função de director de produção, enquanto McColl era o responsável pelo equipamento de produção. Ambos estavam incumbidos, entre outros objectivos, da automatização da linha de produção, bem como da integração da Grohmann Automation, o fornecedor alemão que tinha como clientes o grosso da indústria automóvel do seu país e que a Tesla adquiriu para trabalhar quase exclusivamente para a marca americana.

Se o Model 3 não vai para a rua, vão os empregados. Tesla despede centenas de funcionários

O Model 3 representou um desafio para a Tesla, não só por ser o primeiro modelo de grande volume do construtor (objectivo de 500 mil unidades ano quando atingir velocidade de cruzeiro, contra as 50 mil dos Model S e X), como por ser ainda o primeiro produzido com chapas de aço, em vez do alumínio utilizado nos restantes modelos da marca. E, como se isto não bastasse, a sua linha de montagem recorria pela primeira vez a robots Kuka (Keller und Knappich Augsburg), a mais reputada empresa do sector que sempre foi alemã, até que em 2016 foi adquirida pelos chineses da Midea Group, que pagaram primeiro 4,5 mil milhões por 25% da empresa, para depois tomar conta do resto, até reunir 74,5%, o que realizaram em Janeiro de 2017.

Mas nem tudo é evidente em mais este despedimento, relativo aos atrasos no Model 3, pois se Mendez e McColl trabalhavam na linha de produção em Fremont, na Califórnia, Elon Musk afirmou que os estrangulamentos da linha de produção se deviam sobretudo a problemas na gigafábrica da marca no Nevada, que produz baterias. Aqui está a informação que prestou por carta aos accionistas:

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“To date, our primary production constraint has been in the battery module assembly line at Gigafactory 1, where cells are packaged into modules. Four modules are packaged into an aluminum case to form a Model 3 battery pack. The combined complexity of module design and its automated manufacturing process has taken this line longer to ramp than expected. The biggest challenge is that the first two zones of a four zone process, key elements of which were done by manufacturing systems suppliers, had to be taken over and significantly redesigned by Tesla. We have redirected our best engineering talent to fine-tune the automated processes and related robotic programming, and we are confident that throughput will increase substantially in upcoming weeks and ultimately be capable of production rates significantly greater than the original specification.”

A Tesla, que deveria ter produzido 1.500 Model 3 até Setembro, construiu apenas 260 e, depois, terminou 2017 a fabricar 1.000 unidades por semana, quando o objectivo estava fixado nos 5.000, exactamente metade do que o fabricante tem como meta para quando a linha de produção atingir a sua velocidade máxima.

Entretanto, no início de Janeiro, Musk fez derrapar os 5.000 Model 3 por semana para final de Março, ambição que parece agora mais exequível do que em Setembro. E é bom que seja atingido, pois a sobrevivência da marca pode depender disso.