Os investigadores da Universidade de Manchester levaram a cabo um estudo cujo resultado é tão surpreendente quanto preocupante. Concluíram os cientistas da faculdade britânica que todos os microondas europeus, a que recorremos para descongelar ou aquecer o que comemos e bebemos, são responsáveis pela emissão de tanto dióxido de carbono (CO2) como 6,8 milhões de veículos com motores de combustão.

O transporte rodoviário é apontado como responsável pelo excesso de emissões de CO2 para a atmosfera. E é certo que dá o seu contributo, mas basta consultar a documentação divulgada pela Agência Internacional de Energia para verificarmos que está longe de ser o único. Ou, até mesmo, o mais relevante. Todos os veículos que circulam pelas nossas cidades e estradas com motores de combustão são apenas responsáveis por cerca de 17% do CO2 emitido anualmente, enquanto a indústria e a construção responde por 18%, aviões e barcos por 19%, sendo a produção de electricidade e de calor geradora de 34% de CO2.

Os microondas, só por si, não emitem para a atmosfera nada que seja poluente e, muito menos, CO2. Mas o mesmo não se pode dizer em relação à sua fabricação e posterior desmantelamento. Quando funcionam, os microondas limitam-se a emitir microondas – e daí a denominação – em forma de radiação electromagnética, capazes de estimular (ler agitar freneticamente e, logo, aquecer) as moléculas de água dos alimentos. Porém, o magnetron que gera a radiação consome energia eléctrica, que tem de ser produzida algures. E daí as tais emissões de CO2 determinadas pelos investigadores.

Considerando a média europeia das emissões relacionadas com a produção de electricidade, todos os microondas do Velho Continente consomem anualmente cerca de 9,4 terawatts por hora de electricidade, valor que equivale à produção de três grandes centrais eléctricas que funcionem a gás natural ou a derivados de petróleo, que por sua vez emitem para a atmosfera cerca de 7,7 milhões de toneladas de CO2. Sensivelmente o mesmo valor que 6,8 milhões de veículos, com motor de combustão, lançam para o ar que respiramos.

O trabalho publicado pela universidade não visa desresponsabilizar os automóveis e os camiões do seu contributo para a poluição atmosférica. Pretende, sim, consciencializar o público que há mais fontes poluidoras que urge controlar. Todo o processo de recolha do minério necessário para fabricar microondas é altamente poluente, tal como o é o seu desmantelamento. O problema actual é que, devido aos preços cada vez mais reduzidos, há cada vez mais pessoas a deitar para o lixo microondas perfeitamente funcionais, só porque está disponível um modelo mais recente e mais atraente, obrigando a indústria a continuar a produzir em grandes quantidades electrodomésticos deste tipo. Em 2005, concluem os investigadores, foram para o lixo 184 mil toneladas de microondas, valor que, em 2025, deverá atingir 195 mil toneladas, o que equivale a 16 milhões de aparelhos.