O consumo de sardinha em Portugal caiu 63% nos últimos cinco anos, resultado das restrições de captura cada vez mais apertadas e do aumento dos preços, escreve o Jornal de Notícias. É o terceiro ano consecutivo em que o consumo nacional decresce, tendo caído cerca de 40% entre 2014 e 2017.

Em 2017, Portugal pescou 11.560 toneladas de sardinha, valor que contrasta com as 31 mil pescadas em 2012. A quota anual de pesca só tem caído e a tendência não está para mudar: em 2018 não se deverá pescar mais do que 9 mil toneladas de sardinha.

Menos pesca traduz-se em menos consumo: de acordo com o JN, em 2017, Portugal consumiu 13,2 mil toneladas de sardinha, menos 22,7 mil toneladas do que em 2012, ano em que se consumiram 35,9 mil toneladas.

Metade da sardinha consumida em solo nacional é importada, maioritariamente de Espanha, a quem compramos 5,8 mil toneladas de um total de 6,2 mil. Croácia, França, Grécia e Itália são os restantes países de quem Portugal é cliente.

Apesar de ainda representarem quase 50% daquilo que é consumido em Portugal, as importações, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), caíram 31,6% desde 2014, ano em que se importaram 9,1 mil toneladas de sardinha.

Em contraste, as exportações têm vindo a aumentar. Dados do INE indicam que, entre 2015 e 2017, estas subiram 28,6%, passando das 3,3 para as cerca de 4,7 mil toneladas. O principal cliente português é o nosso principal vendedor: Espanha. Os nossos vizinhos peninsulares compraram-nos 4,55 mil toneladas de sardinha, consideravelmente mais do que os outros dois maiores clientes portugueses, EUA e França, que nos importaram 69,3 e 25,2 toneladas, respetivamente.

Apesar do valor estar longe do de 2012, ano em que exportámos 6,4 mil toneladas, as exportações valem mais agora do que valiam então: em 2017, Portugal vendeu 9,6 milhões de euros em sardinha, mais 500 mil euros do que em 2012.

Este aumento em valor deve-se a um aumento do preço da sardinha, que em 2012 se vendia a 1,42€ o quilo e em 2017 se vendeu a 2,07€, mas também muito por culpa da indústria de conserva e congelados.