Animais

Centro de Reabilitação em Ílhavo recebeu 26 aves contaminadas desde o dia 5

Desde o dia 5 de janeiro, chegaram ao Centro de Reabilitação de Ílhavo 26 aves contaminadas com hidrocarbonetos. Seis acabaram por morrer.

HO/EPA

Seis de 26 aves contaminadas por hidrocarbonetos que deram entrada desde o dia 5 no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos da Gafanha da Nazaré, concelho de Ílhavo, acabaram por morrer, disse esta terça-feira à Lusa fonte da instituição.

Das sobreviventes há ainda algumas em estado debilitado, indicou Marisa Ferreira, coordenadora do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos do Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro (CRESAM/ECOMARE).

“As que apareceram mais tardiamente, como a que nos chegou ontem [segunda-feira], vieram com menos contaminação, mas vêm todos com o mesmo produto”, esclareceu a bióloga.

Desde há cerca de duas semanas que começaram a ser avistadas aves cobertas de petróleo e que têm chegado àquele centro, à medida que populares e a Polícia Marítima as conseguem resgatar.

“Das entradas que temos no centro é algo inédito. Acontece esporadicamente, um ou dois animais por ano, aparecerem contaminados com este tipo de produtos, mas sem os conseguirmos relacionar. Neste caso são muitos animais, num curto espaço de tempo, a aparecer com o mesmo contaminante. Provavelmente, a fonte é a mesma”, disse à Lusa Marisa Ferreira.

A coordenadora do Centro evita pronunciar-se sobre a fonte de contaminação, limitando-se a dizer que as espécies afetadas “são aves marinhas que, se bem que costeiras, nunca se encontram a menos de 500 metros da costa”.

O próprio ministro do Ambiente, em declarações públicas, admitiu que possa ter havido uma descarga em alto mar, cuja origem está ainda por identificar.

No centro, a preocupação é salvar o maior número possível de animais.

“Quando dão aqui entrada têm de ser avaliados quanto à sua condição física e fazer alguns perfis de sangue, para se ver se o animal está em condições ou não de ser lavado”, explica Marisa Ferreira.

De acordo com a bióloga, a lavagem para a remoção do produto “é muito intensiva e despende bastante energia ao animal. É feita com um detergente apropriado, com a temperatura da água e pressão controladas, obedecendo ao protocolo específico” de lavagem de animais com esse tipo de contaminação.

“Temos de os preparar para a lavagem e temos de garantir que têm condições físicas para suportar a lavagem. Neste momento temos três animais que estão contaminados, que chegaram este fim de semana. Mas como estão debilitados, anémicos e muito abaixo do seu peso normal, o que temos de fazer primeiro é restabelecer a sua condição”, exemplificou.

Durante uns dias são alimentados com uma papa de peixe e sujeitos a tratamentos, conforme a prescrição veterinária, até terem força para se submeter à lavagem.

“Os vivos que nos chegaram são todos do Cabo Mondego, da zona da Figueira da Foz. Um animal veio de mais ao sul, mas pode ter voado até lá porque é um ganso-patola, um animal maior, e não apresentava uma percentagem de contaminação muito elevada”, descreve.

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