Suécia

Uppgivenhetssyndrom, o coma misterioso dos jovens refugiados na Suécia

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Quando sabem que o pedido de asilo foi negado e que vão ser deportados, entram num estado de apatia profunda, semelhante a um coma. Médicos e investigadores não conseguem identificar a causa.

Refugiados em Kladesholmen, na Suécia

Getty Images

Uppgivenhetssyndrom, ou Síndrome de Resignação, é uma condição que afeta centenas — ou mesmo milhares — de jovens refugiados na Suécia, sobretudo oriundos de países soviéticos ou da antiga Jugoslávia, ou de minorias como os yazidis. Ao serem informados de que os seus pedidos de asilo foram negados, entram num estado de apatia profunda, semelhante a um coma, que está a deixar intrigados médicos e investigadores.

Uma reportagem do jornal espanhol El País dá conta deste problema, que já se verifica desde 1998, mas que só recentemente tem sido publicamente denunciado, depois de uma reportagem publicada na The New Yorker, em 2017. Segundo o artigo do diário espanhol, as crianças que sofrem desta condição não sofrem nenhum problema físico ou neurológico.

Os jovens ficam “totalmente passivos, imóveis, carentes de tom, retraídos, mudos, incapazes de comer e beber, incontinentes e sem reagir aos estímulos físicos ou à dor”, descreveu o investigador Göran Bodegård, diretor da unidade de pedopsiquiatria do Hospital Universitário Karolinska, em Estocolmo, num artigo publicado em 2005.

Muitas perguntas ficam por esclarecer e nenhum estudo até hoje lhes conseguiu dar resposta. Porque é que aquela reação acontece sempre da mesma forma, nas mesmas circunstâncias, só na Suécia e só com jovens refugiados, maioritariamente entre os sete e os 19 anos de idade?

Todas as teorias propostas para esclarecer o mistério falharam e os casos sucedem-se: só entre 2015 e 2016, o governo sueco registou 169 episódios de uppgivenhetssyndrom. Uma teoria recente parece, contudo, ganhar mais solidez. O neurologista Karl Sallin propõe que se trata de uma psicogénese cultural. Ou seja: os jovens assimilam aquele padrão que se tem repetido no país e sucede uma espécie de efeito dominó.

Mas há outras teorias, como a dos mais céticos, que consideram que são os próprios, ou os seus familiares, a autoinduzir o coma, para adiar a deportação. A tese, contudo, não colhe apoio médico, uma vez que segundo médicos e investigadores os sintomas não são voluntários e não podem ser autoinfligidos.

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