“Ia fazer mais uma, fazer um grande 50. Mas fui desleixado. Queria mais uma. Fazer… fazer um grande 50“. Era esse o grande objetivo de Robert Pickton, que ficou conhecido como”o talhante” e que agora será objeto de um episódio de uma série documental sobre serial killers na CBS Reality. Sentado na cama da cela, enquanto ia comendo o que estava no prato que segurava com a mão, Pickton fez estes desabafos com o companheiro de cela que era, na verdade, um polícia à paisana da Real Polícia Montada do Canadá.

“Eles apanharam-me. Apanharam-me desta vez”, começou por desabafar. Questionado pelo falso colega de cela, Pickton conta que a polícia encontrou “carcaças velhas”. “Descobri que a melhor maneira de se desfazer de alguma coisa é mandá-la para o oceano. Sabes o que é que o mar faz às coisas? Não resta grande coisa”, sugeriu o polícia para desempenhar o seu papel. E conseguiu fazê-lo tão bem que Pickton acabou por contar o que fez — que foi “melhor do que isso”, revelou enquanto se mudou para a cama do companheiro de cela e se sentou a seu lado. “Um esquartejador”, disse.

Robert Pickton na cela onde fez o desabafo ao polícia à paisana

Aquele comentário ao colega de cela durante cerca de oito minutos, por volta das 11h00 da noite de 23 de fevereiro de 2002, foi, sem saber, uma confissão às autoridades. Já tinha acabado a refeição quando revelou que o seu objetivo era matar mais uma pessoa para “fazer um grande 50”.

“Eu, eu, eu, eu escavei a minha própria, escavei a minha própria cova por ter sido desleixado. Isso lixa-me. Isso é que agora me lixa. Isso é que me lixa mesmo. Eu ia só fazer mais uma. Fazê-lo numa maior dimensão, maior do que aquele nos Estados Unidos. O recorde dele era cerca de 42, segundo dizem”, admitiu momentos antes de se deitar na sua cama e tapar com o cobertor.

A cena do crime, onde Robert Pickton assassinava as suas vítimas

A confissão viria a determinar a sua sentença, cinco anos mais tarde: prisão perpétua. O número ficou nos 49 mas chegou para “o talhante” ser considerado “o serial killer mais selvagem do mundo”. Pickton matou 49 prostitutas mas foi a forma como se livrou dos cadáveres que tornou este caso um dos mais macabros do Canadá. Das duas, uma: ou dava os restos mortais aos porcos ou triturava-os com um moedor de carne industrial para misturar com carne de porco e vender. Veio mais tarde a descobrir-se que alguma dessa carne picada foi embalada e vendida a talhos, familiares, amigos e até mesmo à polícia local. As cabeças, as mãos e os pés de duas das vítimas foram encontrados num congelador.

Robert Pickton era um criador de porcos multimilionário, em Vancouver, no Canadá, que fez da sua quinta — apelidada de Piggy Palace (“O palácio dos porcos”, em português) — o local de crime para 49 prostitutas e a maior cena do crime na história canadense.

Um total de 200 mil amostras de ADN. Especialistas forenses foram obrigados a usar equipamentos pesados ​​para escavar e analisar quase 300 mil metros cúbicos de solo. Estima-se que as tenha assassinado entre 1991 e 2002. Apesar de 49 ter sido o número que Pickton confessou, na sua quinta, foram encontradas amostras de ADN de 26 mulheres, a grande maioria nativas americanas ou indígenas. Até 2001, havia 62 mulheres desaparecidas.

Robert Pickton na pocilga onde criava os porcos

Pickton conseguiu sempre contornar as suspeitas da polícia. Quando foi finalmente detido, as autoridades admitiram que podiam ter descoberto o caso mais cedo. Em 1997, uma das vítimas conseguiu fugir da quinta depois de o esfaquear em legítima defesa. A mulher, também ela esfaqueada, foi denunciar o caso às autoridades, quase nua, mas a polícia não considerou o seu testemunho, alegando que era uma testemunha pouco confiável.

“O talhante” vai ser o protagonista do próximo episódio da série “Voice of a Serial Killer” (“A voz de um serial killer” em português) — uma série documental que mostra as confissões em áudio de alguns dos assassinos e serial killers mais mediáticos. O episódio estreia esta quarta-feira na CBS Reality.