A pintura “Aparição de um Anjo às Santas Clara e Inês de Assis e Coleta de Corbie”, de Quentin Metsys, vai ser apresentada na quinta-feira, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa.

De acordo com o MNAA, a obra vai ser exibida no âmbito do ciclo “Obra Convidada”, dentro da programação anual, junto a outra com o mesmo tema, da coleção do museu.

Proveniente do Museu de Setúbal, Convento de Jesus, a obra convidada retrata a aparição de um anjo às santas Clara, Inês de Assis e Coleta de Corbie, num invulgar tema apologético da reforma iniciada em 1406, por Santa Coleta, com o intuito de restabelecer os primitivos ideais dos mosteiros de Clarissas.

Esta reforma foi adotada nos conventos de Jesus, de Setúbal, e no da Madre de Deus, em Xabregas, em Lisboa, de onde provêm as duas obras expostas.

A pintura do Convento de Jesus, hoje pertencente ao Museu de Setúbal, é a Obra Convidada e, a seu lado, estará o mesmo tema atribuído a um pintor flamengo desconhecido, do início do século XVI, proveniente de Xabregas, que faz agora parte da coleção do MNAA.

Partindo provavelmente de um tema criado por Metsys, e realizadas ambas na sua oficina, a pintura proveniente de Setúbal tem características mais próximas do pintor de Antuérpia.

O pintor Quentin Metsys, nascido em Lovaina, Bélgica, em 1466, estabeleceu-se em Antuérpia em 1491, e aí veio a morrer em 1529.

A comunidade portuguesa nessa cidade manteve frequentes contactos com a sua oficina, sendo português um dos quatro aprendizes conhecidos do pintor (Edwardt Portugalois).

Metsys foi um artista muito apreciado na Península Ibérica e particularmente em Portugal, recebendo encomendas do rei D. Manuel e da rainha Dona Leonor e elogios de Damião de Góis e de Francisco de Holanda.

A obra será apresentada por Fernando António Batista Pereira, às 17:30, ficando patente até 13 de maio, na Sala 60 da Galeria de Pintura Europeia.

Criado em 1884, o MNAA acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga do país, em pintura, escultura, artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão Marítima Portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX, sendo um dos museus nacionais com o maior número de obras classificadas como tesouros nacionais.