Arthur Wagner, um dos mais destacados membros do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem como lema “O Islão Não Tem Lugar na Alemanha”, converteu-se ao islão e abandonou a direção do partido.

Há poucos meses, Arthur Wagner foi um dos mais acérrimos defensores da ideia de que Angela Merkel tinha cometido um “erro enorme” ao permitir a entrada de refugiados islâmicos na Alemanha, com a sua política de “fronteiras abertas”. “A Alemanha está a transformar-se num país diferente”, afirmou Wagner na altura, em declarações citadas pelo Tagesspiegel.

Mas o responsável, que tinha assento no comité central do partido que obteve 13% dos votos nas últimas eleições, terá mudado de opinião sobre a religião que o seu partido estigmatiza. Nas últimas semanas, converteu-se ao Islão e, apesar de garantir que continua no partido, deixou os órgãos diretivos. Sobre a razão por que se converteu ao Islão, Arthur Wagner não deu explicações, por considerar que se trata de uma “questão pessoal”.

O jornal alemão The Local.de refere que, ao mesmo tempo que Wagner fazia campanha pelo partido, envolvia-se frequentemente em iniciativas de acolhimento de refugiados na sua terra-natal, Falkensee. Isto apesar de o AfD dizer explicitamente no seu site que “o Islamismo não tem lugar na Alemanha. Vemos a ideologia do multiculturalismo como uma ameaça à paz social e à unidade cultural”.

Um porta-voz do partido AfD, Daniel Friese, disse, porém, a vários jornais que o partido não tem qualquer problema com esta conversão, asseverando que “a religião é uma questão do foro privado. Acreditamos na liberdade religiosa, nos termos em que é definida na Constituição”.