Reabre no próximo sábado, dia 27 de janeiro, a discoteca Urban Beach que esteve fechada durante quase três meses, na sequência de um vídeo em que dois jovens foram agredidos de forma violenta por seguranças, avança o jornal Expresso.

A Urban Beach teve esta quinta-feira autorização do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, para reabrir, depois de quase três meses encerrada. O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e pela Autoridade Nacional de Proteção Civil garantiu que foram implementadas as condições de segurança exigidas aos proprietários do espaço para receber o público.

De 62 passamos a ter 95 câmaras de vigilância, ficando as áreas públicas e técnicas totalmente cobertas pelo circuito interno de CCTV”, garantiu Paulo Dâmaso, administrador do Grupo K.

Além de mais 33 câmaras de vigilância em áreas públicas e técnicas, a discoteca vai passar a ter mais uma saída de emergência, passando de quatro a cinco. Já o número de seguranças nas noites mais movimentas, deverá manter-se o mesmo: “Nas noites de maior afluência teremos 14 elementos de segurança privada”, disse Paulo Dâmaso ao mesmo jornal.

[Aviso: as imagens que constam deste vídeo são violentas e podem impressionar alguns leitores]

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A discoteca lisboeta estava fechada desde 3 de novembro, depois de ter sido divulgado um vídeo que mostrava dois jovens a serem agredidos de forma violenta por seguranças da discoteca, durante a madrugada. A administração da discoteca — que considerou a situação “lamentável e repugnante”, ao jornal Público — disse que afastou “de imediato” os seguranças responsáveis pela agressão. À data em que foi divulgado o vídeo, a PSP tinha 38 queixas por “práticas violentas ou atos de natureza discriminatória ou racista” apresentadas contra o Urban Beach.

Só entre 20013 e 2017, a associação SOS Racismo reencaminhou oito queixas de discriminação relacionadas com alegado impedimento de acesso a estabelecimentos de diversão noturna para o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) mas que não resultaram em nada. O ACM confirmou ao Observador apenas a receção de quatro queixas.

“Pretos, é difícil. Ciganos não entram.” Há ou não racismo nas discotecas de Lisboa?

Os responsáveis pelo estabelecimento recusam-se a falar de racismo, dizendo que a seleção à entrada está relacionada com a aparência e a forma como as pessoas estão vestidas. Já um dos antigos porteiros da discoteca — que pediu anonimato ao falar com o Observador — revelou que as instruções recebidas foram claras: “Pretos é difícil entrarem. Ciganos não entram de todo”.