A delegada de Saúde da Praia sublinhou esta sexta-feira a “grande capacidade” de organização e gestão da epidemia de malária na capital cabo-verdiana, mas pediu “maior participação e envolvimento” de outras entidades no combate à doença.

“Tivemos uma grande capacidade de organização e gestão da epidemia, mas houve necessidade de maior participação e envolvimento de outras entidades que não fosse só a Saúde”, disse à agência Lusa Ulardina Furtado. “A população ajudou imenso”, prosseguiu, apontando a 3.ª Região Militar e a Câmara Municipal da Praia como os outros dois “grandes parceiros” da Delegacia de Saúde na luta contra a doença.

Cabo Verde registou no ano passado 447 casos de paludismo (malária), o maior número em quase 30 anos, e a maior parte na cidade da Praia, onde a doença foi declarada como uma epidemia pelas autoridades de saúde. Do total de casos, foram registadas duas mortes, um cidadão estrangeiro que chegou doente a São Vicente, e um nacional, cuja doença foi detetada tardiamente na Praia.

No início deste ano, a delegada de Saúde avançou à Lusa que casos têm aparecido esporadicamente e que se tem tentado sempre salvaguardar a vida dos afetados. “Isto é o mais importante”, salientou a médica, que fez um balanço “extremamente positivo” do trabalho feito até agora no terreno pelas autoridades sanitárias numa epidemia desta dimensão em termos de número de casos.

Neste momento, Ulardina Furtado disse que as estratégias estão voltadas para “nunca baixar a guarda”, com atenção aos focos já conhecidos, tratando-os permanentemente através da luta antilarvar, pulverização e atividades de sensibilização.

A delegada de Saúde lamentou também a redução do pessoal de terreno, que antes rondava 80 agentes, mas que neste momento são menos de 15. “Precisamos de mais agentes para melhor resposta”, pediu. Ulardina Furtado indicou que este ano, em princípio, a campanha de pulverização que é iniciada todos os anos em julho vai iniciar-se em maio, dois meses antes.

Em janeiro do ano passado, Cabo Verde foi distinguido pela Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) com o prémio Excelência 2017, pelos resultados alcançados no combate à doença. É o único país africano em fase de pré-eliminação e quer eliminar os casos autóctones da doença até 2020.

A malária é uma doença provocada por um parasita do género Plasmodium, que é transmitido aos seres humanos através da picada de uma fêmea do mosquito ‘Anopheles’. Ainda não existe qualquer vacina para a doença, embora recentemente a OMS tenha aprovado a realização de estudos piloto de uma investigação mais avançada.