O Presidente norte-americano Donald Trump ordenou no passado mês de junho a demissão do procurador-especial Robert S. Mueller III, responsável pela investigação às possíveis ligações ao Kremlin da campanha do milionário. A decisão só não terá ido avante porque Donald F McGahn II, conselheiro legal da Casa Branca se recusou a cumprir a ordem, ameaçando com a sua própria demissão se fosse forçado a demitir o procurador.

A notícia é avançada pelo New York Times, que cita quatro fontes anónimas ligadas ao processo. De acordo com o jornal, Trump ordenou a McGahn que despedisse o ex-diretor do FBI e procurador-especial, Mueller, mas este recusou-se a cumprir a ordem e ameaçou demitir-se. De acordo com as mesmas fontes, o conselheiro argumentou que o afastamento de Mueller teria um “efeito catastrófico” na administração de Trump.

O Presidente acabou por recuar, mas não sem antes apresentar justificações para o pedido de demissão. Em causa, argumentava Trump, estavam vários conflitos de interesse. Um deles relaciona-se com um desentendimento há alguns anos sobre o valor a pagar por Mueller num dos campos de golfe do milionário, que levou a que o procurador-especial tivesse decidido acabar com a sua adesão ao clube.

O segundo argumento apresentado pelo Presidente foi o de que Mueller tinha trabalhado para o escritório de advogados que chegou a representar o seu genro Jared Kushner. Por fim, Trump acrescentou que Mueller tinha sido um dos entrevistados para o cargo de diretor do FBI (que já tinha ocupado no passado) após o Presidente ter demitido James Comey — um dos elementos que deu início à nomeação de uma procuradoria-especial para investigar as ligações à Rússia da equipa de Trump.

Esta sexta-feira, o Presidente desmentiu a notícia, no Fórum Económico de Davos. “É ‘fake news’. Típico do New York Times. Histórias falsas”, declarou.