Em 1962, três homens conseguiram o impossível: fugir de Alcatraz, uma das prisões mais seguras do mundo, construída numa ilha ao largo de São Francisco. O que aconteceu depois a Frank Morris e aos irmãos John e Clarence Anglin permanece até hoje um mistério. Apesar de a polícia sempre ter defendido que os três presos tinham morrido afogados e os seus corpos tinham sido levados pelas águas do Pacífico, a incrível fuga de Frank Morris, John e Clarence Anglin deu origem e todo o tipo de teorias e inspirou dezenas de filmes nos últimos mais de 50 anos. Mas isso pode estar prestes a mudar.

Em 2013, a polícia de São Francisco recebeu uma carta assinada por nada mais nada menos do que John Anglin que explicava como é que os três reclusos teriam conseguido escapar com vida da prisão de segurança máxima, em junho de 1962, tornando-se nos únicos a conseguir fazê-lo. Desde a construção de Alcatraz na década de 1910, 36 homens tentaram escapar. Desses, 23 foram capturados, seis mortos pelas autoridades e quatro morreram afogados.

John Anglin chegou a Alcatraz a 21 de outubro de 1960, três meses antes do irmão Clarence. Foi-lhe atribuído o número AZ1476 (Wikimedia Commons)

A missiva, que se encontra atualmente nas mãos do FBI, foi revelada recentemente pela CBS, que a obteve através de uma fonte. Nela, o alegado fugitivo — que se encontrava em Alcatraz a cumprir uma pena de mais de 15 nos por ter realizado vários saltos a bancos com o irmão — começa por se apresentar, dizendo que fugiu de Alcatraz em 1962 com Clarence Anglin e Frank Morris, que tem 83 anos e que está muito doente. “Tenho cancro”, confessou, acrescentando que terá vivido grande parte da sua vida na zona de Seattle e durante oito anos em North Dakota.

Segundo o suposto John Anglin, tanto ele como os outros presos conseguiram sobreviver à fuga de Alcatraz. Frank Morris — levado para a prisão em 1960 depois de ter fugido da cadeia estatal do Louisiana, onde se encontrava a cumprir uma pena de dez anos por um assalto a um banco — terá morrido em 2008, aos 82 anos, e Clarence três anos depois, aos 80. Apesar de não adiantar qualquer pormenores sobre a fuga, Anglin, um ano mais velho do que o irmão, promete revelar o seu exato paradeiro se lhe prestarem os cuidados médicos de que necessita: “Se anunciarem na televisão que prometo cumprir não mais do que um ano de prisão e receber cuidados médicos, volto a escrever a contar exatamente onde estou”, refere, adiantando apenas que se encontra a viver no sul da Califórnia. “Isto não é uma piada.”

A carta pode ser verdadeira?

Depois da carta ser enviada para a polícia de São Francisco, os U.S. Marshals, responsáveis pelo caso desde 1978, pediram ao FBI que analisasse o manuscrito. Contudo, comparações entre o alegado John Anglin e a caligrafia dos três fugitivos mostraram-se infrutíferas. Os resultados foram “inconclusivos”, de acordo com um comunicado emitido pelos US. Marshals, que defendem que “não existe qualquer razão para acreditarmos que algum deles mudou de vida e se tornou num cidadão cumpridor da lei depois de escaparem”, cita pela CBS.

A família também parece estar cética. David Widner, sobrinho de John e Clarence Anglin, contou à CBS que a avó recebeu, durante vários anos, ramos de rosas com cartões assinados em nome dos dois filhos, já depois de estes terem fugido de Alcatraz. Contudo, admitiu ainda não ter sido capaz de decidir se acredita ou não que Anglin tentou entrar em contacto com a polícia. Ainda assim, considera que, apesar de não haver certezas quanto à veracidade do documento, a polícia “devia ter entrado em contacto com a família e informá-la de que a carta existe”.

Frank Morris e aos irmãos John e Clarence Anglin fugiram de Alcatraz na madrugada 12 de junho de 1962, fazendo-se ao mar numa jangada feita de impermeáveis. A fuga foi planeada meticulosamente durante meses, com a ajuda de um terceiro elemento, Allan West, que desistiu do plano no último segundo. Durante este período, os homens cavaram buracos nas celas com colheres afiadas para conseguirem aceder ao sistema de ventilação da prisão, que ia dar ao teto de um corredor pouco utilizado. Nas camas, deixaram bonecos com cabeças feitas de sabão, o que fez com que os guardas prisionais só dessem conta da sua fuga já de manhã. Apesar de a polícia sempre ter defendido a teoria de que os três homens morreram afogados ao largo da ilha de Alcatraz, o caso permanece aberto até hoje.