Poluição

Remoção de espuma no Tejo é “operação estética” e “não resolve poluição”

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Seis camiões cisterna começaram hoje a remover a espuma de poluição concentrada junto do açude em Abrantes, distrito de Santarém. Quercus diz que operação não resolve a poluição.

PAULO CUNHA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Seis camiões cisterna começaram hoje a remover a espuma de poluição concentrada junto do açude em Abrantes, distrito de Santarém, uma medida que a associação ambientalista Quercus afirmou ser uma “operação estética”, lembrando que a poluição persiste.

“Esta remoção da espuma em Abrantes é uma operação mais estética, sendo certo que, se o Tejo não tiver uma tão grande acumulação de espuma, aparentemente, o rio fica com melhor imagem”, disse hoje à Lusa Domingos Patacho, tendo feito notar que a medida “não resolve o problema de poluição do rio”.

Em declarações à Lusa, junto ao açude de Abrantes, o coordenador da Quercus do Ribatejo e Estremadura disse que “o problema da poluição no rio persiste e tem de se resolver a montante, junto das fontes de poluição, nomeadamente junto do complexo industrial de Vila Velha de Rodão”.

Seis camiões ‘hidrolimpadores’ e uma equipa de 12 homens começaram hoje a recolher as espumas concentradas junto do açude de Abrantes, apoiados por pás e mangueiras aspiradoras, estando aquelas a ser encaminhada para Estações de Tratamento de Água (ETAR) da região, para tratamento.

Em declarações à Lusa, o técnico coordenador da equipa de trabalho contratada pela Agência Portuguesa do Ambiente, Paulo Amaro, disse que “as espumas estão a ser transportadas para a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vila Nova da Barquinha”, a cerca de 20 quilómetros de Abrantes, onde “serão depositadas em leitos de secagem para desidratação, oxigenação e anulação”, tendo referido não existir “qualquer perigo”.

Segundo aquele responsável da EPAL – Águas de Portugal do Vale do Tejo, o trabalho dos camiões cisterna de recolha da espuma “não tem prazo para terminar, e vai decorrer todos os dias, enquanto houver luz, e até instruções em contrário”.

Arlindo Marques, do Movimento pelo Tejo – proTEJO, disse à Lusa, por sua vez, que este “é um trabalho inglório”, tendo referido que “a poluição continua nas águas” e que estas, “ao serem mexidas, vão continuar a fazer espuma”.

Segundo o ambientalista, “as espumas verificam-se também a montante de Abrantes, na zona de Ortiga”, Mação, tendo defendido que a questão “só se resolve recolhendo toda a água do Tejo e indo à origem da poluição”, que disse estar “em Vila Velha de Rodão”.

A remoção da espuma que cobre o Tejo em Abrantes, a redução da atividade da empresa Celtejo e a retirada de sedimentos do fundo de albufeiras foram medidas anunciadas na sexta-feira em Abrantes pelo Governo devido à poluição registada recentemente no rio.

Numa conferência de imprensa em Abrantes, na sexta-feira, após uma reunião com várias entidades, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, referiu que foram mobilizados seis camiões para a remoção da espuma nas margens do Tejo, junto ao açude de Abrantes, tendo afirmado que iniciariam hoje a sua operação.

“Não se resolve desta forma o problema da poluição, mas reduziremos em parte o seu impacto visual e impediremos que a poluição proceda para jusante”, afirmou o governante.

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