Poderá ser o parque de estacionamento mais alto e solitário do mundo, mas o Tesla Roadster da 1ª geração lá continua, no topo do Falcon Heavy da SpaceX, a 70 metros de altura. O Heavy é o maior foguetão da empresa americana, que se assume como o maior lançador (e mais barato) de satélites, tendo colocado em órbita estes sistemas de telecomunicações, de análise meteorológica, e até de espionagem, em 44 ocasiões desde 2010.

A SpaceX, que à semelhança da Tesla é controlada por Elon Musk, é responsável igualmente pelas operações de abastecimento da Estação Espacial Internacional (EEI) e que, em breve, vai também ter a seu cargo o transporte de astronautas e cientistas americanos para a EEI.

O Heavy é um aparelho fabuloso, superado apenas na potência e, logo, na capacidade de transporte de carga pelo Saturn V, que levou o homem à Lua entre 1967 e 1973. Mas bate tudo o que existe actualmente, pois ao conseguir transportar até 300 km de altitude (onde estão a maioria dos satélites) 63.800 kg, contra os 24.000 do Space Shuttle, os 22.560 kg do Delta IV Heavy ou os 22.000 do europeu Ariane 5 ES.

Contudo, o Falcon Heavy tem um problema (e dos graves): nunca voou. Apesar de se tratar de três Falcon 9 juntos, lado a lado, a realidade é que tudo pode acontecer quando a SpaceX decidir fazê-lo descolar rumo a Marte. O Heavy tem 27 motores Merlin 1D (três vezes os nove de cada Falcon 9) e, todos juntos, desenvolvem um impulso de 22.519 kN à superfície da Terra, sensivelmente o mesmo que é fornecido por dezoito Boeing 747, com quatro reactores cada.

Parece uma barbaridade, mas é a necessária para elevar do nosso planeta o foguetão com uma massa de 1.420.788 kg, incluindo a carga, que obviamente depende da distância a percorrer. Para Marte são 16.800 kg, mas apenas 3.500 kg, se o objectivo for Plutão. Veja aqui o teste a um destes motores Merlin 1D:

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Como habitualmente acontece, antes de cada lançamento, a SpaceX realiza um teste de motores, primeiro para ver se todos funcionam em simultâneo e arrancam ao mesmo tempo, pois se tal não acontecer, é a receita ideal para o desastre. É nesta altura que o fabricante se apercebe da existência de fugas, ruptura e outros “detalhes” que podem transformar o lançamento numa gigantesca bola de fogo.

O teste de motores correu bem e as imagens comprovam-no. E a gigantesca nuvem de fumo (essencialmente valor de água e gases da combustão) também. Os 27 motores Merlin 1D pegaram em uníssono e trabalharam durante 10 segundos. O Falcon Heavy vai agora ser deitado e transportado de regresso ao hangar, onde vão despistar a existência de fugas ou avarias após o esforço. Se tudo estiver bem, o lançamento pode ocorrer dentro de dias. Correrá tudo bem? Nem Musk tem a certeza, tanto mais que já admitiu que “foi muito mais complexo, do que o esperado inicialmente, desenvolver o Falcon Heavy”.