O ex-ministro, empresário e antigo presidente do clube de futebol Marselha Bernard Tapie e outras cinco pessoas estão a ser alvo de uma investigação das autoridades francesas por suposta “fraude”, noticiou hoje a France Presse, citando fonte judicial.

O inquérito foi instaurado em 30 de agosto de 2017 e está ligado à decisão do Tribunal do Comércio, do mês de junho anterior, que permitiu a Bernard Tapie, de 75 anos, evitar a entrega de bens próprios a favor do Estado francês, no âmbito de um processo relacionado com o Crédit Lyonais.

O tribunal concedeu seis anos, a partir de 2018, para o ex-ministro e antigo dirigente desportivo reembolsar 404 milhões de euros o Estado francês.

O caso remonta aos anos de 1990, quando a Justiça francesa expropriou a marca desportiva Adidas a Tapie, para resolver dívidas do empresário àquele banco público, tendo sido vendida por um preço muito superior.

Tapie exigiu uma indemnização por considerar ter havido prejuízo económico e moral, e uma arbitragem privada decretada por Christine Lagarde, então ministra das Finanças, atual diretora do Fundo Monetário Internacional, atribuiu 404 milhões de euros ao antigo governante francês, em 2008.

O processo foi investigado, a arbitragem foi considerada “fraudulenta”, em junho de 2016, e, em dezembro desse ano, Lagarde foi condenada por um tribunal francês por negligência, na gestão do processo, embora a pena tivesse sido dispensada pelo coletivo de juízes.

Em vésperas de anulação da arbitragem, Tapie, que agora é proprietário do jornal La Provence, colocou as sociedades comerciais que detém, Groupe Bernard Tapie (GBT) e Financière Bernard Tapie (FIBT), em procedimento de salvaguarda, fazendo com que os ativos ficassem inacessíveis aos credores.

É esta operação que está na base da nova investigação sobre o antigo presidente do Marselha, pela parte do Ministério Público, e que o Tribunal de Comércio acabou por validar, ao admitir um período de seis anos, para a devolução dos 404 milhões de euros.

O Ministério Público recorreu da decisão do Tribunal do Comércio, considerando que este modelo de reembolso não é viável, alegando que ter sido feita uma “estimativa incorreta” do património de Tapie, nomeadamente o valor de La Provence e dos dividendos expectáveis.

Tapie foi recentemente submetido a uma intervenção cirúrgica por causa de doença cancerígena.