A Altice informou ter pedido ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, uma audiência urgente para explicar a estratégia para Portugal e mostrar “a sua indignação” pelas declarações “graves” do deputado do BE Heitor de Sousa.

Fonte oficial da Altice confirmou à Lusa que a empresa fez o pedido anunciado no domingo esta segunda-feira, dia no qual a empresa de telecomunicações fez saber que iria “solicitar uma audiência com caráter de urgência ao senhor presidente da Assembleia da República [Ferro Rodrigues], para expor a sua indignação e clarificar a sua estratégia para Portugal”.

Em causa estão declarações do deputado do Bloco de Esquerda (BE) Heitor de Sousa na Assembleia da República que, ao semanário Expresso do passado sábado, defendeu a nacionalização das redes geridas pela Altice/PT.

Àquela publicação, Heitor de Sousa anunciou um projeto de lei para fazer alterações à Lei de Bases das Telecomunicações, determinando a inclusão, no domínio público do Estado, da rede básica de telecomunicações e do Sistema Integrado de Redes de Emergência e de Segurança (SIRESP), e também a recuperação pelo Estado da prestação de um serviço público e universal de telecomunicações, através de um operador público.

O bloquista explicou ao Expresso que este projeto, que está a ser “amadurecido há muito tempo”, foi “acelerado pelo recente relatório da Anacom [Autoridade Nacional de Comunicações] sobre a Televisão Digital Terrestre, que confirmou as denúncias e alertas que o Bloco tem feito” sobre as responsabilidades da empresa no fraco desenvolvimento da TDT e sobre a falta de qualidade nos serviços prestados pela operadora.

“São colocados em causa sempre que são postos à prova”, afirmou o deputado do BE.

No estudo, a Anacom conclui que o serviço de TDT tem ficado aquém do que eram as expectativas iniciais e alerta para conflitos de interesses da Altice.

No comunicado divulgado no domingo, a Altice reagiu às declarações do bloquista argumentando que “não pode valer tudo”.

A empresa admitiu que esta poderia “não ser a única iniciativa sobre este grave episódio”, mas fonte oficial disse segunda-feira à Lusa que, “para já”, não será feito mais nada.

“A Altice Portugal respeita escrupulosamente o princípio de não comentar assuntos políticos ou partidários. Contudo, as declarações de um deputado do BE no jornal Expresso, onde se refere diretamente à Altice e às suas operações, revestem-se de uma enorme gravidade pelo vasto conjunto de factos e informações falsas que invoca, exigindo o natural exercício de direito de resposta e o mais cabal e exigente esclarecimento em sede própria”, vincou a empresa na nota.

A empresa disse também estranhar que “em nenhum momento o senhor deputado [Heitor de Sousa] tenha procurado obter os exigíveis esclarecimentos junto do grupo sobre os temas que ignorante ou maleficamente aborda, ao contrário do que outros grupos parlamentares”.

“Portugal não merece nem pode admitir que membros de órgãos de soberania, como a Assembleia da República, se comportem de forma tão leviana ou irresponsável e assim afetem a credibilidade, a confiança e o respeito destes órgãos”, criticou a companhia, falando ainda num “ataque insidioso que simboliza um claro desrespeito” pelo parlamento e “por quem gera valor, cria emprego e dinamiza a economia nacional”.

A Altice adiantou que “a patente falta de sentido de responsabilidade por parte deste cidadão deputado exige uma atitude imediata”.