O Placard, jogo da Santa Casa da Misericórdia, e as apostas online, ganharam nos últimos anos uma maior dimensão. A facilidade de acesso fez com que o número de menores a apostar disparasse – ao ponto de surgirem vários anúncios publicitários de sensibilização para o limite legal relativo ao jogo.

A Sportradar, empresa de monitorização de apostas que trabalha para a FIFA, divulgou às entidades desportivas e policiais os valores astronómicos envolvidos em cada jornada do futebol português. Na Liga NOS, principal campeonato de futebol, o valor médio de apostas chega por jornada aos 288 milhões de euros: mas, em caso de jogo entre Benfica, Sporting e FC Porto, este montante pode chegar aos cem milhões. Na II Liga, cada jogo movimenta cinco milhões de euros, e no Campeonato de Portugal, o último de futebol profissional, cada partida gera 122 mil euros. Ora, o Diário de Notícias fez as contas e concluiu que cada jornada do futebol profissional português movimenta em apostas algo como 340 milhões de euros.

A anónima origem de todos os investimentos faz com que surjam diversos grupos interessados em manipular resultados para obter receitas: aquilo a que popularmente chamamos match fixing. A rápida e abrangente dissolução das apostas desportivas está no centro das preocupações das principais entidades que regulam o desporto internacionalmente. Mas o receio já chegou a Portugal: a Liga Profissional de Futebol, o Sindicato dos Jogadores e a Federação Portuguesa de Futebol têm organizado várias sessões de esclarecimento para os atletas. Além disso, também o Governo já fez saber que vai criar uma plataforma para permitir a troca de informação entre todos os agentes desportivos no combate à manipulação de resultados.

Estas sessões de esclarecimento têm revelado um facto que em muito surpreendeu a Liga, o Sindicato e a Federação. A grande maioria dos jogadores profissionais de futebol não sabiam que não podiam apostar em jogos de futebol – e que, ao fazê-lo, incorriam num crime que pode levar a uma pena de prisão até três anos. Nesta campanha, as três entidades criaram uma plataforma online que permite denunciar suspeitas. Com o nome “Deixa-te de Joguinhos”, conta com Pedro Pauleta como principal embaixador e coloca em contacto direto o delator e as autoridades policiais.

De recordar que está marcado para 22 de fevereiro o início do processo Jogo Duplo, em que 27 pessoas, incluindo atletas, dirigentes e empresários, estão acusadas de associação criminosa, corrupção ativa e passiva e apostas fraudulentas. Além disso, no final de 2017, quatro jogadores do Rio Ave foram constituídos arguidos numa investigação que procura apurar se receberam dinheiro para perder o jogo com o Feirense, da 20.ª jornada da época 2016/17.