O Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu esta segunda-feira manter inalterada, em 18% ao ano, a taxa de juro base angolana, pelo segundo mês consecutivo, após o aumento em novembro para tentar controlar a subida da inflação acumulada.

A decisão consta da nota oficial sobre a reunião mensal do Comité de Política Monetária (CPM) do BNA, encontro que serve para avaliar os indicadores de crescimento económico e as contas fiscais e monetárias, neste caso de dezembro de 2017.

“Foi prestada particular atenção à evolução dos preços na economia nacional, tendo-se observado um ligeiro aumento no indicador mensal e redução em termos homólogos”, refere a mesma nota, a que a Lusa teve acesso.

A taxa de juro base esteve fixa em 16% até final de novembro último, altura em que aumentou para 18%, por decisão do BNA. O aumento então definido foi justificado com “os altos níveis de inflação acumulada”, o que levou o CPM a concluir pela “necessidade” de tomar “medidas de política monetária com o propósito de reverter o atual processo inflacionista”.

Já no mês de dezembro, a taxa de inflação mensal, medida pelo Índice de Preços no Consumidor Nacional, publicada pelo Instituto Nacional de Estatística, foi de 1,20%, contra os 1,04 do mês anterior e os 2,04% no mesmo mês, mas de 2016.

A inflação dos últimos doze meses, até dezembro, situou-se assim em 23,67%, contra 41,12% no acumulado do período homólogo de 2016, recorda o BNA.

A taxa de juro, cujas variações podem servir para controlar a evolução da inflação, esteve fixada até julho de 2014 em 8,75%, após um corte, na altura, de meio ponto percentual.

Aumentou em 2015 para 9%, iniciando então um ciclo de subidas, com três aumentos só em 2016, o último dos quais em junho (do mesmo ano).

Na reunião de segunda-feira do CPM, além de manter a taxa base de juro nos 18% ao ano, até 28 de fevereiro (próxima reavaliação), o BNA decidiu também não mexer na taxa de juro de facilidade permanente de cedência de liquidez, fixada nos 20% ao ano, e manter não remunerada a Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez e o coeficiente das reservas obrigatórias sobre os depósitos em moeda nacional nos 21%.

Devido à crise decorrente da quebra na cotação internacional do petróleo, Angola viu reduzir a receita fiscal para cerca de metade desde 2015, assim como a entrada de divisas no país, agravando o custo das importações e o acesso a produtos, inclusive alimentares, cujos preços dispararam.