As cidades lidam hoje com dois problemas graves. Não só o trânsito está cada vez mais caótico, o que leva os habitantes a passarem grande parte do dia num constante pára-arranca, como o excesso de poluição está a tornar o ar irrespirável, com prejuízos para a saúde. Para evitar uns e outros, o Governo francês decidiu afastar os carros da cidade, obrigando-os a pagar uma portagem à entrada dos maiores centros urbanos.

Se bem que pareça uma medida excessiva para muitos, será este o caminho que vai ser seguido pelos mesmos governantes que decidiram há dias reduzir a velocidade nas estradas secundárias, de 90 para 80 km/h, apenas por achar que isto poderá diminuir o número de acidentes. Isto sem que qualquer estudo apontasse nesse sentido, antes pelo contrário.

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Portagens para afastar carros das cidades nem sequer é uma “invenção” francesa, pois Londres, Milão e Gotemburgo já as implementaram há muito. Segundo a ministra dos transportes local, Élisabeth Borne, “a lei actual já permite às autarquias esta possibilidade, ainda que de forma experimental e por um período de três anos”.

As portagens, para além do encaixe que vai permitir aos cofres das autoridades, vai efectivamente levar muitos, os que tenham alternativa, a optar pelos transportes públicos, diminuindo assim o trânsito e a poluição. As portagens poderão ainda servir para outro objectivo: o de levar os indecisos a optar pela aquisição de um veículo eléctrico, para o qual as portagens serão gratuitas, uma vez que não poluem quando circulam.