Ainda há características por revelar da próxima geração da versão mais desportiva do Mégane, modelo que ainda ninguém conduziu, mas a Renault já entregou as primeiras quatro unidades ao Automóvel Clube do Mónaco (ACM), o mesmo que organiza o primeiro rali do Campeonato do Mundo da época e a prova mais emblemática do Mundial de Fórmula 1.

Sabe-se já que o desportivo francês vai possuir uma versão ainda mais radical, mas o Mégane R.S. “normal” vai montar um motor 1.8 Turbo com 280 cv. Pode não parecer muito, nem uma grande evolução face à unidade anterior, que debitava 275 cv na versão Trophy, mas que possui 2,0 litros de capacidade. Caso tivesse uma capacidade 2.0, o novo motor 1.8 forneceria 311 cv, o que o alinhava pelos melhores da classe. De todas as formas, a Renault não se importa de ter um desportivo ligeiramente menos potente do que a concorrência, pois está a contar com o sistema 4Control, com quatro rodas direccionais, para ser mais eficaz em comportamento e mais rápido, tanto em pista como em estrada.

Mas os quatro Mégane R.S. ao serviço do ACM não vão servir para passear, e muito menos fazer arranques ou bater-se com os concorrentes. Vão, sim, ser utilizados nas diversas organizações de dimensão mundial que o clube do principado monta anualmente e que lhe dão uma generosa exposição mediática.

O Sainz mais novo estreia-se nos ralis com o R.S.

Na mesma semana em que Carlos Sainz “pai” venceu o seu segundo Dakar, aos comandos de um Peugeot 3008, depois de ter ganho em 2010 com o Volkswagen Touareg, eis que o Carlos Sainz “filho”, materializava um dos seus sonhos de criança e disputava um troço de rali. E logo no Rali de Monte Carlo.

É natural a paixão do Sainz de 23 anos pelos ralis, pois o seu pai, de 55, era uma estrela na disciplina, onde ficou conhecido como o El Matador, pela forma como atacava as classificativas, perseguindo a vitória. Que alcançou em 26 ocasiões, em provas do Mundial de Ralis, o que lhe permitiu ser campeão duas vezes e sempre com a Toyota, em 1990 e 1992. Como “filho de peixe sabe nadar”, o Carlos mais novo – hoje uma das maiores jovens esperanças de F1, onde conduziu para a Toro Rosso desde 2015, para saltar para a Renault antes do final da época de 2017 – tinha o ensejo de se deliciar na categoria que fez o seu pai famoso. Ambição essa que concretizou no Rali de Monte Carlo deste ano, aos comandos de um dos novos Mégane R.S., que recentemente a Renault ofereceu ao ACM.

O pai Carlos venceu o Monte Carlo três vezes, mas o filho nem pode bater-se pela vitória. Isto porque disputou apenas uma das 17 classificativas da prova, mais precisamente a última, La Cabanette-Col de Braus, com uma extensão de 13,58 km, e integrado no grupo de carros da organização que abre e fecha a passagem dos concorrentes.

Segundo o piloto de F1, que decidiu fazer uma ‘perninha’ nos ralis, a experiência correu bem e abriu-lhe o apetite para pedir ao pais mais uma lições sobre a condução em provas de estrada, recorrendo para tal ao carro de competição que a família Sainz possui na Suécia, onde a neve é uma constante de Inverno, tal como os pisos de terra escorregadios o são de Verão.